Caminhamos para a “Venezuelização” do Brasil?

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Primeiramente, antes de iniciar este texto, justifico-o pelo
acontecimento de ontem (04) em que em mais uma etapa da operação “Lava Jato”, o
ex-presidente Lula foi conduzido de forma coercitiva, mesmo que não houvesse
amparo legal para tal medida, para prestar depoimento a um delegado da Polícia Federal. Inicio desta forma, pois, tenho compromisso com o
leitor deste blog (que cresce a cada dia em número de acessos) em postar todo
sábado uma entrevista, procedimento que intitulei “Entrevista da Semana” e que
se tornou muito acessado. Pois bem, com essa breve satisfação, vamos ao texto.
Há dois anos iniciava a operação “Lava Jato”, uma das
maiores ações de combate à corrupção da história brasileira. O centro das
investigações é a Petrobras, a maior empresa nacional. Procuradores do
Ministério Público Federal e o juiz Sérgio Moro são os protagonistas. Desde 2014
que a “Lava Jato” tomou para si a pauta do país. Os principais veículos de
comunicação a utilizam como uma novela, a cada dia um capítulo diferente e o
enredo vai se desenrolando como um veludo, sem expectativa de se chegar à
ponta.
De forma clara e sem rodeios, percebe-se (até quem possuí
baixo QI consegue perceber) que a referida operação é parcial. Ou seja, segue
um caminho, uma única direção até aqui. Com ela popularizou-se a chamada “Delação
Premiada”, onde o acusado faz acordo com a Justiça para ter a sua condenação
atenuada em troca deletar o que sabe e colaborar com as investigações. Não vejo
esse procedimento com algo ruim. Pelo contrário, auxilia a combater a
morosidade da Justiça, haja vista, que apresenta nomes e documentos que
aceleram o processo. A questão é saber como essas oitivas estão sendo feitas,
conduzidas e a quem interessa, condena ou protege.
Entre as dezenas de delatores, alguns ao serem ouvidos,
citaram diversos nomes, inclusive o do senador Aécio Neves (três delatores o
citaram) como recebedor de propina e nada foi feito. Sequer o tucano foi
convocado para prestar esclarecimentos. Diversos processos na Justiça contra
integrantes do PSDB estão parados, prontos para serem arquivados por
extrapolarem os prazos limites legais de apuração. Por que essa diferenciação? Ou
esse privilégio?
Ouço muito a frase: “nunca ocorreu tanta corrupção no Brasil”.
Pura balela. Frase falada ou defendida por quem não consegue fazer minimamente
uma análise crítica, comparativa entre um passado não muito distante o atual
cenário. Corrupção sempre existiu aos níveis que se conhece hoje. A diferença está
na forma de combatê-la. Nunca se prendeu tantas pessoas importantes, que antes,
passavam despercebidas. A própria Polícia Federal nunca fez tanta operação como
agora. Pelo menos 400 vezes mais em comparação, por exemplo, com os dois governos
FHC.
Desde 1994 que a polaridade política entre petistas e
tucanos dominam o Brasil. Nesse período só as duas legendas – apoiadas em
períodos diferentes pelo PMDB – definiram os rumos da política brasileira. De
certa forma, dentro dos limites normais, aceitáveis, tucanos e petista sempre
conviveram com certa racionalidade, com poucos ou isolados casos de confrontos
e até embates físicos. A partir de 2010, quando Dilma Rousseff assumiu a Presidência
que esse cenário mudou. Aprofundou-se em 2013 por conta das manifestações que
tomaram conta do país e atingiu o seu ápice com a disputa eleitoral de 2014. De
lá pra cá, mantém perigosos níveis de intolerância, ódio e preconceitos,
chegando a níveis comparados por alguns ao Fascismo que dominou a Europa no
século passado.
Claramente a oposição e grande parte da mídia alimentam essa
disputa política. Conforme como escrevi, o antipetismo tornou-se algo que foge
do controle, o intitulei como uma patologia social. O Brasil parece ser
engolido pela disputa entre “Coxinhas” x “Petralhas” e cada grupo parece
quererem exterminar o outro. Esse cenário se assemelha (guardadas as devidas
proporções) ao que vem acontecendo na Venezuela após a morte de Hugo Chávez e com
a chegada ao poder de seu sucessor Nicolas Maduro. Desde então o referido país
mergulhou em uma grave crise política que desencadeou em outra, a econômica.
Sem fazer apologia ao caos, claro que, não estamos em níveis
de desordem social como os venezuelanos vivem. Mas também não estamos distantes
dessa realidade. A quem interessa tocar fogo no Brasil? Aprofundar as crises econômicas
e políticas? Vivemos uma paralisia aguda em nosso país. Esse cenário fomenta a
manutenção da crise econômica, haja vista, que constrói a cada dia um cenário de
incertezas, de instabilidade. Essa crise política irá se arrastar até 2018? O
país resiste a todo esse tempo? Vamos aceitar a desconstrução de todas as
conquistas alcançadas? Validar a volta ao retrocesso social? Saudar o período
em que o salário mínimo era engolido pela inflação? Conviver tranquilamente com
o desemprego nas alturas, a taxa Selic na segunda dezena e a inflação na estratosfera?
Queremos novamente a volta do fosso social entre ricos e pobres no país? A seca
e fome no nordeste? A quebra e o endividamento com o FMI? A corrupção sem
combate, tudo para “debaixo do tapete”?
Fomentaremos a possível “venezuelização” do Brasil, até
quando? Com a palavra o povo brasileiro…

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