Canaã dos Carajás vive clima de fim de obra de megaprojeto da Vale

Compartilhe nas redes sociais.

Segundo a Bíblia, Canaã era a terra prometida por Deus a seu povo. Em sua homônima paraense, o que se vê é o aumento do desemprego e da violência com a aproximação do fim da obra do S11D, maior projeto da história da Vale. Desde que a mineradora iniciou as obras, em 2013, a 50 quilômetros da área urbana do município, Canaã dos Carajás foi alvo de intenso processo de imigração, com a chegada de trabalhadores em busca de uma das 12.600 vagas do empreendimento. Em 2015, quando o país perdeu 1,5 milhão de postos de trabalho, o município foi o que mais gerou empregos, com 3.051 vagas criadas.

“Como tem problema de emprego no país inteiro, eu vim para cá há seis meses. Mas não achei nada. O dinheiro que eu tinha gastei pagando aluguel. Já pedi prato de comida para amigos”, afirma Jairo Nicacis, 30. Das 12.600 vagas no pico da obra restam atualmente cerca de 10 mil empregos. Esse número vai cair para 5.000 até o fim deste ano, segundo a Vale. Como a operação será muito automatizada, serão só 2.600 funcionários trabalhando no S11D, com perfil mais qualificado.

Como outros municípios que receberam grandes projetos, Canaã não estava preparada para o boom de moradores, reconhece Jeová Gonçalves de Andrade (PMDB), prefeito da cidade reeleito. Um dos problemas é que o policiamento é aquém do necessário. São 28 policiais militares e dois delegados. Só o Disque Denúncia recebeu 112 contatos de Canaã neste ano, mais que as 87 denúncias somadas de 2010 a 2015. Roubo de veículos é o mais comum.

Leonardo Neves, gerente de ambiente e sustentabilidade da Vale, diz que a empresa destinou R$ 900 milhões em investimentos sociais e pagamentos de impostos ao município nos últimos 12 anos. Segundo ele, apenas em virtude do S11D foram mais de 30 obras realizadas em parceria e com a contrapartida financeira da prefeitura, como reforma de hospital e construção de escolas.

Fonte: Folha de São Paulo.

 

2 Comentários

Deixe uma resposta