Crise política: balanço momentâneo

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A crise política que paralisa o Brasil e se arrasta desde o
final do ano de 2014 e parece que não terá fim, haja vista, o cenário exposto e
os desdobramentos do processo. Podemos dividir – até de forma didática – as
etapas desta crise, que culminou em seu estágio mais avançado com o processo de
impedimento da presidenta Dilma Rousseff. Diversos cenários são prognosticados
a partir desta última e atual etapa. O que virá depois, caso o impeachment
aconteça? Se Michel Temer assumir, terá condições políticas de se manter no
poder ou de finalizar a crise?
O que se pode afirmar sem receio é que o impeachment que já
foi bem mais forte estava quase garantido, muitos o davam como consolidado (sem
constrangimento em assumir, eu entrei neste grupo), mas semanas depois, o
cenário foi mudando, favoravelmente ao Palácio do Planalto. O desembarque do
PMDB da base governista na semana passada parecia que seria o “tiro de
misericórdia”, que não restaria ao governo a não ser se preparar para deixar o
Palácio do Planalto. Pelo contrário, nem todos os peemedebistas deixaram o
governo. Dos sete ministérios que estavam sob controle do partido, seis ainda
continuam governistas.
PMDB saiu e parece que não fez muita falta, pelo menos, o
quanto se esperava. Sua saída permitiu ao governo reorganizar os espaços,
recompactuar a base e atender melhor os partidos que continuam apoiando a
presidenta Dilma. Dessa forma é que os articulistas palacianos enfrentaram o
processo de impeachment. Sem cerimônia e constrangimento, oferecendo cargos em
troca de votos favoráveis a manutenção de Dilma na presidência. Não há outro
caminho que não seja esse. Resta saber se esse processo de recompactuação será
bem feito ou suficiente para garantir os votos mínimos para barrar o impeachment
de Dilma.
Meses atrás escrevi texto com o título: “Michel Temer e a
mosca azul” ocasião em que levantei a possibilidade de rompimento e conspirações
do vice-presidente para que o processo de impeachment se tornar realidade. A
questão era saber qual postura Temer teria. Em termos ético, o então presidente
peemedebista tomou a pior possível.

E o que acontecerá com Michel Temer? O que restará ao
vice-presidente, caso o impeachment não aconteça? Sua relação com Dilma, que
nunca foi das melhores, agora é a pior possível. Além disso, será um
vice-presidente sem ter o seu partido (no qual é presidente) fora do governo.
Temer será isolado, perante a sociedade carregará a imagem de golpista e de
alta rejeição até dos que não o considere assim. De constitucionalista renomado
ao isolamento político até 2018. Política é feita de escolhas, algumas dão
certo, outras nem sempre. 

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