Depois do “teatro de horrores” o que virá?

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No último domingo a Câmara Federal em sessão que acatou o
pedido de impeachment da presidenta Dilma Rousseff, enviou para o Senado
Federal, instância responsável ou não pelo afastamento da mandatária do país. O
que se viu na sessão presidida pelo réu Eduardo Cunha foi um verdadeiro “teatro
de horrores”, tamanha eram as bizarrices que foram propagadas pela maioria dos
parlamentares que estavam no recinto, pareciam muito mais preocupados com suas
questões pessoais do que com o importante momento que poderia mudar a história
política do país. A imprensa internacional em seus periódicos diários abordou a
questão, de forma irônica. Brasil serviu de chacota mundial.
Voltando a questão do rito processual do impedimento… Penso
que o Senado não irá alterar o  direcionamento dado pela Câmara. Não há – pelo
ponto de vista governista – condições para reverter o cenário, ou seja, manter a
presidenta no Palácio do Planalto. Os senadores deverão homologar o impedimento
em definitivo e de forma rápida, evitando assim pressão das ruas e de diversos
setores da sociedade.
Conforme escrevi na semana passada, o impeachment foi a
confirmação do desastre político que foram os dois governos Dilma. Ter obtido
apenas 137 votos é o carimbo da incapacidade governista de articular apoios e
manter minimamente a governabilidade, independente do alto nível fisiologista
do Congresso Nacional. O governo teria de forma fixa, contando com os votos do
PT e aliados históricos, 110 a 115 votos. Saindo desta órbita ideológica,
avançou para pouco mais de 25 votos. Uma tragédia política.
O que virá? Quais os próximos rebatimentos desta crise que
parece ser infindável? Um novo governo, chefiado por Michel Temer seria capaz
de amenizar a crise, ou a aprofundaria? O impeachment seria capaz de propor um
novo debate entre o papel do Estado para com a sociedade? Ou – pelo que parece
até o momento – foi apenas uma manobra política ilegal, golpe para derrubar um
governo eleito democraticamente por mais de 54 milhões de pessoas.

Pelo visto, o teatro de horrores assistindo em cadeia
nacional no último domingo, promovido pela maioria dos deputados, é só um
detalhe do enredo da crise que promete continuar a paralisar o país e se
arrastará – pelo visto – até 2018. A única saída no meu entendimento seria a
convocação de novas eleições. Mas a referida questão é a pauta do próximo post.

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