Dilma no Congresso Nacional. Vários significados

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Ontem, quebrando todas as previsões, a presidenta Dilma
Rousseff deixou o seu gabinete no Palácio do Planalto, atravessou a Praça dos
Três Poderes e adentrou no Congresso Nacional, participando da cerimônia de
abertura dos trabalhos legislativos de 2016, depois do recesso parlamentar.
Muitos pensavam que seria impossível a mandatária do país pelas atuais circunstâncias
políticas que o seu governo vive, pudesse se fazer presente no referido evento.
Dilma só havia comparecido a abertura dos trabalhos no
Congresso em 2011, em seu primeiro ano de mandato, algo esperando de alguém que
tinha acabado de assumir e precisava construir relação institucional. A
presidenta discursou por 40 minutos, deixou a sua mensagem e pediu esforço de
todos em relação às medidas de retomada do crescimento econômico do país. Na pauta
do discurso estava a reforma na previdência social; limites aos gastos públicos
e a recriação da CPMF, momento que foram ouvidas muitas vaias dos parlamentares
da oposição que impuseram até placas contra a volta do referido imposto.
Dilma resolveu assumir a responsabilidade e mesmo em momento
delicado de seu governo, com a sua popularidade em baixa e vivenciando processo
de impeachment, a presidenta resolveu sair de sua “zona de conforto” e
compareceu ao ato legislativo. A sua presença tem vários sentidos e – nas entrelinhas
– pode ser interpretado de diversas maneiras. Inegavelmente Dilma quis
demonstrar força, sair das cordas, mostrar a todos que está no comando e que dá
a última palavra. Resta saber se isso será suficiente a partir de agora?
O ato de Dilma Rousseff foi muito parecido com o realizado
pelo presidente Barack Obama, na semana passada. Diferente da cultura política
brasileira, nos Estados Unidos o chefe do poder Executivo comparece ao
Congresso e discursa por horas. O ato é oficial, transmitido em cadeia nacional
e esperado por todos. Tem o formato de uma grande prestação de contas do ano
anterior. Por aqui, o comparecimento do chefe do Executivo não é obrigatório,
na maioria dos casos um representante é enviado no lugar. Prestação de contas
do ano anterior é caso raro, com poucos exemplos no Brasil.

Independente de ser oposição, o presidente ao comparecer ao
Congresso, no caso americano, é tratado com todo o respeito. Obama foi aplaudido
de pé por todos os republicanos, seus opositores ferrenhos, o que mostrou ao
mundo que as diferenças políticas-ideológicas são colocadas de lado em
cerimônias ou atos oficiais com a presença do chefe de um poder. Essa postura
republicana foi esquecida por muitos parlamentares que vaiaram a presidenta
Dilma Rousseff. Como bem definiu o doutor Ulisses: “A democracia brasileira de
tão nova é uma interrogação”. Temos muito a aprender.

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