Em nome de “Deus” e da “família”, processo de impeachment vai ao Senado

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Depois de pouco mais de 10 horas de duração, a sessão que
deliberou sobre a admissibilidade do impedimento da presidenta Dilma Rousseff
(PT) foi aprovado. No placar os que votaram pelo afastamento somou 367 votos, com
137 contra, além de sete abstenções e duas ausências. O resultado foi muito
abaixo do esperado pelos articulistas do governo, o que demonstrou que o
processo de recompactuação do Palácio do Planalto não funcionou, em mais um
erro da sofrida articulação política do governo.
Dilma Rousseff agora segue o rito oficial do processo.
Estará em até 24 dias afastada do cargo de presidenta por até 180 dias, período
que o Senado Federal decidirá o seu futuro. Se for aprovado o impeachment,
Dilma deixa de ser afastada temporariamente, para ter o seu impedimento em
definitivo. Michel Temer governaria até 2018.
Além do processo já descrito, o que chamou atenção foram as
posturas, falas, discursos e nível de conhecimento dos parlamentares. A grande
maioria na hora de proferir o voto favorável ou não, demonstrou todo e qualquer
compromisso com o objeto central do pedido: as chamadas “pedaladas fiscais”. Em
suas falas os nobres parlamentares em sua maioria, louvaram a Deus, agradeceram
suas famílias, amigos, contaram suas trajetórias, leram versos, poemas,
cantaram…
O que se percebeu foi em sua maioria a falta de conhecimento
ou puro descaso dos parlamentares para com o importante momento da história
política brasileira. Pareciam muito mais preocupados com suas respectivas
imagens ou falas do que com as consequências ao país, independente do
resultado.
A sessão que decidiu pela admissibilidade do processo de
impeachment da presidenta Dilma Rousseff escancarou o perfil da maioria do
parlamento federal brasileiro. As urnas em 2014 elegeram o Congresso Nacional
mais reacionário e conservador das últimas décadas no Brasil, pelo menos desde
1964 não era assim. Se alguém tinha dúvida sobre qual regime político seguir ou
se o parlamentarismo seria uma alternativa para a política brasileira, a sessão
de hoje, deixa claro que não. Colocar nas mãos de um Congresso o futuro do país
com o atual perfil seria trágico e até perigoso ao regime democrático.
O que esperar do país a partir de agora? O que esperar dos
parlamentares de agora em diante? Os discursos messiânicos na tribuna irão se
concretizar? Ou serviram apenas para justificar votos indo de encontro ao bom
senso ou ao interesse do país?
As chances de a presidenta Dilma Rousseff ser impedida de
vez, após o Senado votar o processo são grandes. Creio que os senadores não
deverão criar atrito institucional com a Câmara, sendo assim votariam
favoráveis ao impedimento em definitivo de Dilma Rousseff.

Independente do resultado do processo de impeachment sabe-se
que o país precisa vencer essa etapa e buscar o fim – ou pelo menos – a diminuição
para patamares administráveis da crise política. A paralisia está afundando economicamente
a economia brasileira. Sem um grande pacto das principais forças políticas não
há como retomar a agenda desenvolvimentista do país, independente de quem esteja
na presidência. Pelo visto ainda haverá diversos desdobramentos desta crise
política-institucional. Pior para o Brasil.

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