HGP: a “bala de prata” do governo Valmir

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A expressão bala de prata foi adotada como uma metáfora para
designar uma solução simples para um problema complexo com grande eficiência.
Esta metáfora é tipicamente empregada no mundo da tecnologia, em especial na
tecnologia da informação, referenciando-se a um novo produto ou tecnologia com
o qual se espera vir a resolver um problema anteriormente existente.
No caso de Parauapebas, a “bala de prata” é o novo Hospital
Geral que foi entregue no último dia 01, pelo governo do prefeito Valmir
Mariano, no prazo limite estipulado pela justiça eleitoral para que os gestores
em processo de disputa de reeleição possam inaugurar obras públicas. Sem dúvida
e sem cerimônia, o prefeito e seus assessores mais próximos fizeram o possível
para “entregar” tal obra para a população, mesmo que a mesma não entre em
operação, mesmo depois da festa, da placa e do corte da faixa, simbolizando que
tal empreendimento passasse ao uso público.
Como esperado por muitos não vou criticar o prefeito ou sua
gestão por tal “manobra” para se enquadrar na lei eleitoral. Infelizmente, esse
tipo de atitude se tornou corriqueira em ano eleitoral e por quem quer se
manter no poder. Todos a promovem, infelizmente. Portanto, Valmir não pode ser
crucificado por isso. A questão é ter inaugurado o hospital sem que o espaço
possa ser usado pela população. A assessoria de comunicação da prefeitura divulgou
nota informando as etapas de acesso aos procedimentos hospitalares. Os de maior
complexidade só serão acessados pela população no final do mês de setembro,
isso se o cronograma de execução da obra se mantiver conforme o planejamento
divulgado.
Valmir e seus assessores mais próximos sabem que o HGP é a
obra mais importante da cidade, sabem que todos os parauapebenses esperavam
ansiosos pela conclusão e funcionamento. Parauapebas, município bilionário, já
merecia um hospital do porte do que foi inaugurado. Pensado em 2006 e com obras
iniciadas em 2007, o hospital era um anseio dos milhares de cidadãos que moram aqui
e que foi se arrastando por anos. Erros primários foram cometidos em seu
projeto inicial e que fizeram o custo da obra multiplicar por nove. A previsão
inicial do custo girava em torno de nove milhões. Dez anos depois, com dezenas
de aditivos, a inauguração chegou aos impressionantes 100 milhões de reais,
entre estrutura física e equipamentos.
Dentro do prazo legal da justiça eleitoral, o governo Valmir
Mariano entregou a obra, que aliais, foi digna de um grande vento, com alto
investimento. Tudo para causar grande impacto aos moradores da “capital do
minério” e alavancar a baixa popularidade do prefeito Valmir. O HGP tornou-se a
“grande cartada” da atual gestão municipal para se manter competitivo pela
disputa pelo Palácio do Morro dos Ventos, diminuindo o favoritismo do
ex-prefeito Darci Lermen.
Outro ponto que chamou atenção na ocasião da inauguração do
Hospital Geral de Parauapebas, que diga-se de passagem, será o maior da região,
desbancando o município de Marabá, foi a ausência de diversas autoridades
paraenses, entre elas a maior: governador Simão Jatene, que não compareceu ou
enviou algum representante de seu primeiro escalão. Essas ausências levantando
diversos questionamentos. Por que a inauguração (mesmo que inacabada) de uma
importante obra, a maior da região, o governo do Estado não se fez presente? O
que está ocorrendo nos bastidores?
Ainda há diversas obras a serem inauguradas pela atual
gestão, a partir de agora, sem a presença do prefeito Valmir, impedido pela
legislação eleitoral, mas que poderão surtir impacto positivo na avaliação de
sua gestão. A maior de todas foi entregue, inacabada, mais foi. Resta saber se
a “bala de prata” surtirá efeito positivo, sendo responsável pela guinada do
governo Valmir ou a forma como foi entregue e os meses seguintes de operação,
poderão ter efeito contrário. Vamos aguardar.

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