Hospital Municipal de Parauapebas. Mais um exemplo de apologia à incompetência

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Por diversas vezes escrevi sobre a gestão pública no Brasil,
dando ênfase ao estado do Pará, mais especificamente sobre os municípios marajoaras,
período em que estive mais próximo do referido arquipélago, por questões
familiares e políticas. No curto período em que vivenciei “in locu” ou à distância,
de Belém, acompanhando os fatos referentes a alguns municípios marajoaras, sem
esforço pude perceber o quanto se fazia ou estava – até na cultura local – se fomentando
apologia à incompetência com a “coisa” pública.
Em curto espaço de tempo as “costuras” políticas estavam me
levando a assumir – possivelmente – duas secretarias municipais em duas municipalidades
diferentes, claro em períodos distintos. Mas logo essas pretensões mudaram de
curso. Confesso que ainda bem. Exercer cargo de ordenador de despesas em um
cenário dominado por procedimentos “fora da curva” e que poderiam manchar
qualquer reputação de um homem, algo que busco a todo custo preservar, seria
algo quase inevitável.
Apologia à incompetência não se resume aos municípios marajoaras.
Está infelizmente instaurado em milhares de municípios brasileiros, dos menores
aos maiores. A revista Exame em sua edição de janeiro deste ano, entre diversas
matérias, abordou a construção do Hospital Municipal de Parauapebas. Considerada
a maior obra do referido município e que se arrasta desde 2008, quando foi
prometida a principio que seria entregue 12 meses depois. O empreendimento
iniciado no final do primeiro mandato do ex-prefeito Darci Lermen (PT) e que se
arrastou pelo segundo mandato e oito anos depois de sua contratação ainda não
foi entregue.
A matéria apresenta dados que envergonham pelo amadorismo.
Muitos erros de engenharia como elevadores que não comportam macas; falta de
saídas e até a ausência de caixa-d’água em seu projeto original. Esses erros
ocasionaram dezenas de aditivos, aumentando o valor em mais de cinco vezes o
orçamento inicial que já beira 50 milhões de reais. A obra, segundo as
informações divulgadas pela reportagem, não terminou. Faltam ainda 10% da
estrutura e os equipamentos. O atual secretário municipal de saúde, João Luiz
Ribeiro, afirmou que o novo hospital será inaugurado no segundo semestre deste
ano, meses antes da eleição.
Normalmente no jogo da apologia à incompetência aparece o “empurra-empurra”
de acusações e de responsabilidades. A atual gestão acusa a anterior dos erros do
projeto que culminaram na demora da conclusão da obra. De fato mesmo é a
comprovação da impressionante incompetência que domina – infelizmente – as gestões
públicas pelo Brasil.

Enquanto isso um município como Parauapebas, o quinto mais
populoso do Pará, um dos maiores exportadores do país, assentado na maior província
mineral do mundo, onde o poder público municipal conta com orçamento bilionário,
ainda não possui um hospital que possa garantir minimamente atendimento para a
sua população, que precisa em muitos casos, até em casos de média complexidade,
se deslocar por 180 km, até Marabá, a maior cidade da região sudeste paraense.
Enquanto se perpetua apologia à incompetência, o Brasil continua sendo um país
em que a maioria da população não sabe ou não vive – de fato – a cidadania
plena. Até quando?

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