Mais carinho e amor por Parauapebas – Minha coluna semanal no jornal Hoje.

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Hoje o município de Parauapebas completa 27 anos de
existência depois de ser emancipado em 1988 de Marabá, a também chamada
“capital do minério”, apesar da pouca “idade”, possuem grande acervo histórico
e muitas estórias para contar. Os desbravadores, os primeiros que aqui chegaram
e foram fincando os primeiros esteios de madeira, iniciando a transformação de
parte de floresta em um centro urbano, escrevendo mais um capítulo no grande
livro do processo de ocupação da região amazônica.
Não poderia deixar de parabenizar o referido município em
minha coluna semanal. Moro há sete meses na cidade, chegando por aqui em
outubro de 2014, assumindo cargo público em concurso, vindo de Belém, a capital
do Pará, para a tão falada e progressista Parauapebas. Neste artigo aproveito a
oportunidade da data festiva para levantar o debate sobre o vazio de pertencimento
que Parauapebas vive ou sempre viveu, desde a sua fundação e que logo percebi
desembarcar aqui.
Com o olhar e percepção mais apurada (Por ser professor de
geografia e ter muito estudado o espaço, essa aptidão carrego comigo e me ajuda
a ter esse olhar) percebo que a cidade carece de carinho e sentimento de
cuidado e zelo pela maioria de sua população. Situação típica de municípios que
tem perfil econômico centralizado em apenas uma atividade e que recebe muitos
migrantes. O Brasil se encontra aqui em Parauapebas.
A maioria das pessoas que chegam em Parauapebas tem a ideia
e objetivo fixo de “ganhar dinheiro”, enriquecer, fazer o chamado “pé de meia”
e depois retornar a cidade de origem. Muitos sabem que o minério extraído das
serras que rodeiam a cidade não são infinitos, deverão ter o seu fim antecipado
cada vez mais cedo, pelo aumento recorrente da extração que a Vale a cada ano
impõe (Em seu mais novo balanço, 1º trimestre de 2015, outro recorde de
produção foi batido em Carajás).
Ou seja, criou-se no senso comum de quem desembarca na
cidade que tem que “tirar tudo que puder” e depois partir, o último que
desligue a luz. E assim a capital do minério vai completando anos e anos sem
que essa mentalidade ou postura mude. Na geografia estudamos a relação do homem
com o seu espaço e as consequências desta. Ensinamos que o espaço é amplo e as
relações de afetividade com ele, o tornam lugar, ou seja, um espaço afetivo,
exatamente o que falta em Parauapebas.

Por isso o maior presente que a cidade de Parauapebas pode
receber em seus 27 anos de vida é amor, carinho, zelo e pertencimento, que cada
cidadão que aqui reside possa carregar consigo o sentimento de amor a essa
terra que muito dá aos que aqui chegam e pouco recebe dos mesmos. Parabéns
Parauapebas, que a menina-cidade possa ser muito mais do que um depósito
mineral, encravado no meio da floresta amazônica.
Parabéns Parauapebas.

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