Manifestações: entre o direito de protestar e a propagação de ilegalidades e bizarrices. Uma releitura do processo

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Escrevi originalmente este texto em agosto de 2015, período
em que as manifestações de rua iniciaram no Brasil. Diversas capitais
brasileiras foi palco de manifestações que buscavam o impeachment da presidenta
Dilma Rousseff e o combate à corrupção. Essas ações de mobilização social
nasceram de movimentos organizados e fomentaram o levante popular. 
Anteontem (13),
mais um dia de protesto foi organizado, o quinto desde quando foram propostas.
Por isso, resolvi adaptar este texto e reapresentá-lo ao leitor, justamente
porque a sua essência não mudou, ainda é muito atual e coerente com o turbilhão
social que o Brasil vive, que aprofunda a cada dia as crises política e
econômica, paralisando o país. Segue o texto com adaptações para a sua reeleitura. 
No último dia 13, milhares de pessoas retornaram às ruas das
principais cidades brasileiras para protestar contra a corrupção, o governo
Dilma e o PT. Nos eventos houveram ainda pedidos de impeachment da presidenta
Dilma Rousseff e até apoio para intervenção militar no Brasil. Em meio a essa
gama de desejos, vontades e interesses, o que realmente é válido para o país? O
que é prepositivo? O que pode ser realmente levado em consideração? O que, de
fato, pode proporcionar mudanças, novos rumos?
Pedir, por exemplo, o impeachment de uma presidenta eleita
democraticamente e sem base jurídica legal para isso, é correto? Depois de 21
anos de ditadura militar, ainda se tem a coragem de pedir o retorno desse
período sombrio da história brasileira? A luta pelo retorno da democracia, com
muita luta, ainda na década de 80, pode ser esquecido, apagado de nossa
memória?
Ser contra um governo é um direito. Protestar contra uma
gestão, um grupo político, um partido faz parte do jogo democrático, deve ser
respeitado e garantido. Mas o que se viu no último domingo foi algo
preocupante, chega arrepiar. Assemelha-se ao fascismo praticado na Europa,
guardadas as devidas proporções, é claro. Para tentar derrubar um governo ou um
partido político se faz necessário derrubar o Estado de Direito, infringir
regras ou normas, passando até por cima da constituição?
O objetivo deste texto não é defender partido “A” ou governo
“B”, mas discutir, fomentar a reflexão sobre o processo político e a crise na
referida área que o Brasil atravessa. Derrubar um governo sem base legal seria
a melhor opção ao país? Qual caminho queremos? O que se percebe é que os
movimentos de manifestações nas ruas defendem objetivos que talvez não sejam os
que estão sendo mostrados, defendidos publicamente. Combater a corrupção, ao
lado de pessoas que estão sendo acusadas por tal ilicitude, não é postura
correta ou coerente, só para citar um exemplo.
A corrupção se tornou uma praga no Brasil. Ela está em todos
os níveis de poder, em todas as instâncias de governo, nas relações pessoais e
no dia-a-dia, tornou-se ato corriqueiro, que se faz até sem perceber. Qual a
lógica então de ir às ruas pedir o seu fim se é praticada até por quem se faz
presente nesses atos? Claro que não podemos generalizar, mas a hipocrisia
impera no Brasil, especialmente no chamado ativismo político.   

Devemos protestar, estar nas ruas, exercer a cidadania,
pedir – se for o caso – a saída de governos, a troca de comando político,
pressionar a classe política, mas nunca, em hipótese alguma, promover ações
dentro de um universo de ilegalidades ou vontades que visem destruir algo muito
valioso e que foi conquistado com muita luta: a democracia.

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