Michel Temer e a mosca azul

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“A mosca azul” obra lançada em 2005, por Frei Betto, em que o
escritor buscou analisar e externar os labirintos do poder e a influência que
ele exerce nas pessoas. O termo é uma metáfora que retrata as consequências de
quem é afetado pelos encantos do poder, neste caso a “mosca azul”. A obra
sempre se tornará atual por sua abordagem e atualmente precisa ser lida ou relida, pois estamos em pleno momento de efervescência
política vivida no Brasil, em meio a processo de impeachment da presidenta
Dilma Rousseff. Por isso, escrevi este texto, que busca refletir e provocar em relação a postura do
vice- presidente da nação, Michel Temer.
Desde o último dia 02, quando o presidente da Câmara dos
deputados, Eduardo Cunha (PMDB), autorizou o início do processo de impeachment
da presidenta Dilma Rousseff, que o vice- presidente Michel Temer se afastou
dos holofotes, do centro da discussão política que ronda o afastamento de Dilma
(mesmo ele sendo um dos principais interessados na questão) e passou a atuar
nos bastidores.
Nos últimos dias, Temer criou agenda paralela as suas
atribuições institucionais de “número 2” da República e passou a exercer
atividades profissionais e pessoais. Neste contexto, o vice-presidente
conversou com dois tucanos de alta plumagem: o senador José Serra e o
governador de São Paulo, Geraldo Alckmin. A divulgação desses contatos pessoais
dias após o início do processo de impeachment, levantou diversas questões,
alimentou teorias conspiratórias e colocou em xeque a postura de Michel Temer
em relação ao seu posto institucional.
Se Dilma cair, Temer assume a presidência do país e
governará até 2018. Caso isso se concretize a política brasileira “vira do
avesso” e todas as análises para as eleições (de 2016 e 2018) terão que ser
repensadas. Será que o vice-presidente deixará ser picado pela mosca azul, famosa
e muito recorrente em ambientes políticos, especialmente em crise, subindo
novamente a rampa do Palácio do Planalto, agora como o novo presidente?
Pelo critério ético e constitucional, Temer deve trabalhar
pela manutenção de Dilma no poder e contra o processo de impeachment. Se a
questão de interesses pessoais e ascensão ao comando do país prevalecer em sua
decisão, o vice-presidente, poderá articular nos bastidores pela saída de Dilma
e a montagem de seu governo.
Pelo perfil fisiológico do PMDB, o partido está bem dividido
(como sempre esteve no que diz respeito ao governo do PT). Alguns são contra e
outros a favor do impeachment. A formação do PMDB que foi construída pelos
feudos regionais, e neles estão o entendimento do partido no que diz respeito
ao processo de afastamento da presidenta. Temer controla parte da ala paulista
do partido. Justamente a que está mais propensa ao impeachment. Dilma conta favoravelmente
com o PMDB carioca e metade da bancada nordestina (incluindo deputados,
senadores e governadores) se dividem no apoio ao Palácio do Planalto, assim
como o clã peemedebista no resto do país.

Os próximos dias – com o rito do processo de impeachment em
andamento – serão decisivos. Temer precisa se posicionar publicamente sobre a
questão. Deixar claro de qual lado apoia e trabalhar favoravelmente pelo lado
escolhido. Sua Postura de isolamento e ação nos bastidores torna a relação institucional
insustentável. Temer repetirá a postura de Café Filho, vice de Getúlio Vargas?
Aguardemos cenas do próximo capítulo da crise política que domina todo o
planalto central. A mosca azul prevalecerá?

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