O 7×1 não serviu para nada

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O fatídico dia 08 de julho de 2014, quando a única seleção
pentacampeã do mundo, foi goleada de forma vergonhosa pela Alemanha, que nos
dias seguintes se tornaria tetracampeã de futebol, igualando em títulos com a
Itália. Ninguém, nem o mais empolgado alemão,  poderiam imaginar um placar como aquele. Parecia
jogo virtual, algo surreal e que poderia ter sido pior, caso os jogadores
alemães não assumissem que “tiraram o pé” em determinado momento da partida. Tudo
isso em solo brasileiro, na realização da segunda Copa do Mundo no país, como
em 1950, perdemos, ficamos sem a taça, novamente dentro de casa.
Naquele momento o futebol brasileiro, cristalizado em sua
seleção, chegava ao fundo do poço. Ou não? Ainda haveria mais profundidade a
percorrer? Esperava-se que haveriam mudanças, talvez revolução em nosso futebol.
Reformulação na CBF, calendário, estrutura dos times e na forma como a seleção
era gerenciada. Quase dois anos depois, nada disso se alterou. O que mudou
foram as saídas de técnicos e suas comissões. Medida paliativa e que – de fato –
não resolve o problema. A visão míope não permite a muitos enxergar que o que
acontece em campo é o fato de menor relevância, a problemática maior está do
lado de fora, dos que pensam (ou não) e dirigem o nosso futebol.
Primeiramente e sem crise, se faz necessário afirmar e se convencer
que não somos o melhor futebol do mundo. Não encantamos mais quando entramos em
campo, bem diferente do passado. Não há o chamado futebol arte ou jogadas
individuais que desequilibravam defesas e esquemas táticos. Esse cenário não é
de hoje. Há pelo menos duas décadas é assim. A diferença é que em anos
anteriores, existiam jogadores que em um lance resolviam o jogo. Hoje não mais.
O futebol brasileiro tornou-se burocrático, de padrão europeu, com a diferença
de não ser bem treinado, de não ter esquema de jogo e nem grupo definido. Dois
anos depois do maior vexame da história da seleção, o que mudou? Em que o 7×1
serviu de lição? Quais as propostas foram feitas para mudar a forma de gerir o
futebol brasileiro?
A tragédia no Minerão deveria servir para um recomeço, com
mudanças significativas na estrutura de nosso futebol. Dois anos depois o “status
quo” continua e o reflexo da crise só aumenta. Isso se reflete no total
desprestigio que a seleção brasileira vive. Não há mais interesse em acompanhar
os jogos, não há expectativas de boas partidas, que a disputa seja atraente,
empolgante. Isso é passado, infelizmente.
Não precisa ser um especialista em futebol (como de fato não
sou) para entender e analisar erros que estão evidentes. O nosso calendário é
hibrido, não segue o padrão mundial de competições, o que atrapalha diretamente
a organização da seleção, pois, diferente do que acontece principalmente na
Europa, os clubes, os campeonatos são organizados, respeitando o bem maior do
futebol de cada país: a seleção. 

Não possuímos projetos ou ações que visem
criar alicerces em nosso futebol. As categorias de base da maioria dos times
não possuem estruturas para iniciar ali o projeto de formação promissor. Para a
nossa sorte nasce entre ano e outro, uma grande promessa, um craque, que será
diferenciado. Neymar até agora é o último que surgiu neste nível de qualidade.
Por isso, a seleção tanto depende dele.

A seleção brasileira tornou-se um balcão de negócios. Diversas
denúncias apontam que a convocação e até a escalação seguem “orientações” de
mercado, ou seja, indicações e favorecimentos. Ser o melhor ou estar em melhor
fase já não é garantia de vestir a “amarelinha”. Isso talvez explique a alta
rotatividade de jogadores. Não há um time padrão desde a Copa da África do Sul,
em 2010.

A seleção brasileira não treina como deveria. O ocorrido na
Copa em 2014 deixou claro que o processo de treinamento serve muito mais ao
entretenimento, aos patrocinadores do que – de fato – analisar esquemas táticos,
treinar fundamentos básicos, posicionamento e entrosar os jogadores, ter padrão
de jogo.
Dunga foi demitido e Tite é o novo técnico. O agora
ex-comandante corintiano será o quarto a ser chamado para assumir a seleção
brasileira em quatro anos, um recorde para o posto. A única mudança será essa:
troca de treinador. Os problemas de fato, os maiores responsáveis por essa
crise de nosso futebol serão mantidos.

Tite por sua experiência e competência deverá promover
mudanças no esquema tático, prover um time com padrão de jogo, deve utilizar
algumas propostas que usava no Corinthians na seleção, o que deverá diminuir a
pressão, caso os resultados positivos apareçam e creio que virão. Mas continuaremos
a “enxugar gelo”, bem longe da realidade, da necessidade em sermos os melhores,
retomar a hegemonia no futebol. O nosso maior problema não está em campo, não
joga, não corre, mais sim fora dos gramados, na gerência. Pelo visto, infelizmente,
o vergonhoso 7×1 não serviu para nada. Foram mais dois anos perdidos. Pelo bem do nosso futebol, boa sorte
ao Tite.

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