O FIM DA ERA HOMO SAPIENS

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Nunca imaginei eleger um título assim para um de meus artigos. Mas, como nomear o momento humano em que o mesmo parece atribuir menos valor à condição de se estar vivo?

Homo sapiens é o nome dado à espécie dos seres humanos, de acordo com a classificação taxonômica. Esta é uma expressão latina que significa literalmente “homem sábio” ou “homem que sabe”.

Estima-se que os primeiros Homo sapiens tenham aparecido entre aproximadamente 300 mil e 100 mil anos atrás, na atual região do leste africano. A principal característica que marca o Homo sapiens é a sua capacidade de pensar e raciocinar, qualidade esta que é única entre os seres desta espécie. Além disso, o Homo sapiens é conhecido por suas complexas estruturas sociais e sistemas de comunicação.

Os Homo sapiens, supostamente, evoluíram a partir do Homo erectus, espécie antecessora que surgiu há cerca de 1,5 milhões de anos e já possuía características fisiológicas bastante semelhantes ao do homem moderno, como a postura e as dimensões do cérebro. Os seres desta espécie apresentam um cérebro altamente desenvolvido, capazes de desenvolver um sistema de linguagem complexo, raciocínios abstratos e a resolução de problemas.

Além disso, os Homo sapiens também têm o corpo ereto, com habilidade e destreza nos membros inferiores e superiores, como a capacidade de manipular diversos objetos com as suas mãos, por exemplo. A capacidade de criar também é um dos frutos da inteligência dos Homo sapiens, que em conjunto com a sua desenvoltura corporal faz com que consiga criar e utilizar ferramentas que auxiliam a alterar o ambiente a sua volta com o objetivo de favorecer o seu bem-estar.

Acima, tentei resumir em curtos parágrafos a categoria de Homo a que a Evolução nos trouxe. Ficam claramente dispostos os aspectos que fizeram de nós os detentores da maior arma que o mundo animal jamais poderia supor. Alcançamos o lugar de controle que relegou aos demais indivíduos da natureza a posição de subserviência e servidão. Dominamos o mundo e passamos a ensaiar o domínio de mundos que nem nossos são.

Mas, este caminho também nos encaminhou ao caos. Alcançou-se um saber irrefreável, ao mesmo tempo em que se conquistaram dimensões de um Ego irreprimível também. E a ironia evolutiva está exatamente aqui. Lembram-se da elevada capacidade de raciocínio e criatividade que diferenciou o Homo Sapiens e encerrou categorias anteriores? Pois bem, o Homem não soube lidar com tanto poder e ao que parece, ao deparar-se com frustrações que classifique como severas, não responde com algo menos que a morte.

É isso. Não há delito que não se puna com a morte neste que parece ser o momento que reúne as maiores frustrações da humanidade. A conquista da destreza de membros (inferiores e superiores) não continuou sendo aplicada na busca por alimentos, nem a capacidade de manuseio de objetos ficou a serviço apenas do desenvolvimento de ferramentas domésticas pelo Homo Sapiens. Ao contrário, toda perfeição que foi sendo conquistada por nós nos incumbiu da criação de armas de abrangente destruição.

O mesmo par de mãos que tornou o planeta um lar passou a ameaça-lo diariamente. Sem falar do Homem que mata tanto os que chamam de inimigos, quanto os que abraçam como amigos e até mesmo os que chamam de amor. Na história, já se matou por terras, por trilhas marítimas, por pecado, por bruxaria, por religião. Mas, o Homem Sapiens agora também mata “por amor”.

Inversamente, o Homem teria conhecido o afeto assim que descobriu o quão seguro é escolher uma família para viver. Mas, certamente também foi quando percebeu que outro indivíduo pode ser SEU. O Homem passou então a possuir, além de tecnologias e coisas, pessoas também. Pessoas, que de tão importantes poderiam agora ser ensinadas com a morte, sempre que não compreendessem o grau da posse do outro por si.

Dor e morte é a única forma de resgate da honra de um Sapiens falido que aprendeu tanto de tudo, mas que não aprendeu a se frustrar.

Mortes passionais compõem a programação de telejornais diariamente; chocam, mas não chegam mais a surpreender. São comuns, às vezes justificáveis por quem compartilha da mesma inabilidade de auto gerência. Diante de uma “esposa” morta sempre terá alguém com a pergunta: “O que ela fez?” como se na resposta fosse encontrar o motivo. As mortes por discussões no trânsito; as mortes em assaltos a vítimas de mãos limpas e como se não bastassem ainda aquelas que foram “sem querer” já são mais comuns do que “andar para frente”. Mata-se por tudo e por nada. Perdemos o poder da consciência, saímos do status da razão.

O que deu errado? De que fibra foi tecido o afeto que Sapiens inventou?

Por que a felicidade inspiradora das redes sociais não virou a verdade dos dias atuais? O Homem chegou à posição que nem de primitiva posso chamar, já que nem mesmo Erectus mataria por amor. Ainda temos tempo para continuar evoluindo como Sapiens ou vamos confirmar o fim de mais uma categoria? Se não refizermos certos caminhos agora mesmo certamente deixaremos ocupar o lugar do Saber que tomamos com tanto mérito, mas já deixamos de merecer a muito tempo. Talvez seja apropriado abdicar de Marte por hora; não é ocasião para se lançar por destinos desconhecidos, sem que se deixe seu próprio lar sob controle. O temor agora é não ter como reaver a paz perdida; é não conseguir voltar à condição viável, já que agora não temos o recurso Sapiens para nos orientar.

 

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