O fim do “Olá, tudo bem?” – o jornalismo menos crítico e independente

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De forma súbita, o jornalista Paulo Henrique Amorim nos deixou hoje, 10. Mais uma grande perda ao jornalismo e à democracia do país. PHA, mesmo vinculado à Record, mantinha uma postura de independência e de alto teor crítico. Produzia um trabalho pessoal paralelo, intitulado de “Conversa Afiada” nas redes sociais. E nele que conseguia expor toda a sua criticidade, e de certa forma uma militância política ao seu estilo.

Paulo era um dos maiores jornalistas do país. Já havia passado por todos os maiores veículos de imprensa que se imagina. No fim do mês passado, foi afastado da Record (não houve demissão, pois o contrato do jornalista com a emissora foi mantido, e tinha validade até 2021), e que o fato teve como base questões políticas, algo que foi obviamente negado pela Record. Mas era sabido que o posicionamento de PHA ia de encontro aos dos diretores da emissora, que seguiam linha editorial favorável ao governo Bolsonaro.

O afastamento foi um duro golpe a Paulo. Para quem produz jornalismo desde novo, não fazê-lo é algo que mexe com a estrutura emocional, e não foi diferente com o referido jornalista. Além disso, PHA, responde a inúmeros processos na Justiça por conta da sua atuação jornalística. Em sua última inserção nas redes sociais, o jornalista levanta a questão e deixa em aberto (agora no caso de sua morte) a questão da liberdade de imprensa no país.

O ano de 2019 está sendo duro para o jornalismo brasileiro. O Blog já havia prestado homenagens a outros dois nomes: Ricardo Boechat e Clóvis Rossi. Segue nos links o devido reconhecimento aos citados: https://blogdobranco.com/politica/a-vida-e-um-sopro-obrigado-boechat/ e https://blogdobranco.com/comportamento/rossi-a-minha-outra-droga/

Paulo tinha um perfil todo peculiar de se expressar e fazer jornalismo. Na atual conjuntura, a perda de duas mentes críticas, como as de PHA e Boechat, nos farão muita falta. O Brasil menos inteligente, menos crítico e a imprensa menos independente. Obrigado, Paulo. Assim como no título desta postagem, finalizo com outro jargão em tom de despedida de PHA: “Boa noite e boa sorte”. Sigamos! Deixo-vos com o excelente texto reflexivo escrito por Paulo.

TEMPO DE VALORIZAR

Tudo tem seu valor, pouco ou muito ,mas vale ou é importante para alguma coisa. Caso contrário, a vida não teria sentido. O que seria de uma caneta sem tinta? um lápis de cor sem ponta? o que seria da luz, se não fosse a escuridão? e visse e versa.
Namorar sem beijar, dizer eu te amo sem ouvir o resoar do “eu também amo você!” Isso seria viver sem sentido, sem rumo e sem expectativa. A vida que nos foi concedida é tão perfeita em tudo, que nós acabamos esquecendo de valorizá-la e algumas pessoas fazem dela apenas um simples ato de viver por viver. Aquela velha frase: “só damos valor a alguma coisa depois que perdemos.”
…Na verdade, quando temos algo em excesso, acabamos por vez, ficando acostumados com tal abundância, não enxergamos mais o quão valioso é o que temos, O ar que respiramos por exemplo! Não se referindo é claro a coisas materiais, porque estas se perdem no tempo. Os valores que ficam são nossos atos, nossas palavras, nosso respeito , carinho e amor. Lembranças, sentimentos bons ou ruins, são coisas que não tem como retirar de nós. Acabam tornando-se parte da nossa essência. Tenha uma história para contar, um ato para ser lembrado; uma pessoa para amar e valorizar juntos tudo que a vida oferece enquanto o tempo permitir.
No fim, todos terão o mesmo fim.

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