O início desastroso e os desafios do governo Temer

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Horas após ser notificado pelo Congresso Nacional para que
assumisse a presidência da República do Brasil de forma interina, enquanto a
presidenta Dilma Rousseff espera pelo julgamento de seu processo de impeachment
pelo Senado, período que poderá se estender por até 180 dias, o primeiro
escalão e as primeiras medidas logo foram anunciadas.
A primeira polêmica foi justamente na composição dos
titulares das pastas ministeriais. Sete dos novos ministros estão respondendo
por diversos crimes, alguns delatados na operação Lava Jato. Como combater à
corrupção (motivo pelo qual, o governo petista foi destituído) com assessores
diretos envolvidos com denúncias? A proposta não seria justamente “limpar” a
política? Fazer diferente? Um governo de coalização? Que unisse o país?
A segunda polêmica diz respeito às decisões tomadas pelos
ministros empossados e pelo próprio presidente interino. Fechar ministérios
como a Cultura e CGU (Controladoria Geral da União) e entregar pastas a
gestores sem o mínimo de afinidade com área, como a pasta da Educação, que está
sob os cuidados do deputado federal Mendonça Filho (DEM), só tornaram a vida do
novo governo mais difícil, mais pressão da sociedade. Para piorar, Temer não
empossou nenhuma mulher em seu primeiro escalão, além da ausência de negros.
Essas questões só pioraram a avaliação inicial de seu governo.
Michel Temer sabe que corre contra o tempo. Precisa que o
julgamento de Dilma seja o mais rápido possível, para que saia da condição de
interino e possa se torna definitivo. Isso acalmaria a pressão social. O
presidente interino sabe que a retomada do crescimento é a única saída para que
o seu governo consiga ter o mínimo de apoio popular.
Além da questão econômica, a nova composição do Palácio do
Planalto, precisa restabelecer a governabilidade no Congresso Nacional. A nova
base governista que está sendo montada precisa garantir a aprovação das medidas
que a nova equipe governamental está pretendendo implantar, além validar que o
Palácio do Planalto consiga engrenar em um cenário de falta de apoio de muitos
setores da sociedade.
A imprensa mundial e dezenas de países não aceitam o
processo de impeachment, considerado golpe. Por isso, vários governos,
especialmente os que fazem fronteira com o Brasil, afirmam que não reconhecem o
atual governo brasileiro. Isso poderá criar crise diplomática, o que pioraria a
economia de base exportadora de nosso país. Para piorar, quem está responsável
pelas Relações Exteriores é o senador do PSDB, José Serra, o que poderá ser um
grande retrocesso no que diz respeito ao processo de diversificação da relação
comercial construída nos últimos anos.
A redução ministerial e a montagem do novo governo criou
diversos atritos com partidos que foram favoráveis ao afastamento de Dilma.
Temer sabe que precisa manter – no mínimo – os 55 votos que afastaram
temporariamente a presidenta Dilma. O coeficiente mínimo para concretizar o
impeachment são 54 votos. Dos senadores que votaram favoravelmente a saída de
Dilma, três já demonstram insatisfação e até arrependimento. Ou seja, o governo
interino corre o risco de ser destituído.
Claro que Temer, com a experiência que acumulou, sabe que
deverá atender à todos os interesses dos parlamentares, especialmente no Senado,
haja vista, que é lá que o seu futuro política está sendo decidido. Aliado a
isso, medidas que consigam mudar gradativamente os cenários político e
econômico do país, para que assim – caso Dilma seja condenada – chegar até
2018. Caso contrário, o seu governo que ainda é interino, poderá nem se tornar
definitivo e se chegar a esse patamar, não conseguir governar. 

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