O mais novo balanço da Vale: caminhos incertos

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No último dia 18, a Vale, direto de
sua sede central na cidade do Rio de Janeiro, divulgou os seus balanços
referentes à produção e à logística de forma geral do exercício de suas atividades
em 2015. Desta forma a mineradora cumpriu a lei que a obriga de tornar público
esses dados, mas também apresenta ao mercado, como se fosse um “salvo conduto”
aos investidores e a economia global. Como era o esperado, os dados divulgados
não foram satisfatórios. Demonstram que o cenário mundial das commodities,
neste caso, o minério de ferro, o “carro chefe” da Vale, chegou a patamares
que, talvez, já pudessem ser esperados, com cotações bem baixas, pressionando a
mineradora a aumentar a produção e reduzir os custos, para manter a margem de
lucro.
Neste sentido, a produção em Carajás, bateu novo recorde,
fato que vem ocorrendo a cada ano. E isso se confirmou quando apresentou o seu
tão esperado “Resultado do 4º Trimestre de 2015” ou simplesmente “RF4T15”. No
referido relatório foi anunciado que de Carajás foram retirados 129,6 milhões
de toneladas de minério de ferro da Serra Norte e mais 2,6 milhões do mesmo
mineral da Serra Leste, em Curionópolis. No ano passado a mineradora obteve o
total de 345,9 toneladas de minério de ferro retirado do solo brasileiro.
Carajás obteve aumento de 8,3% em 2015 em comparação ao ano de 2014.
Mesmo com o aumento na produção, não há o que comemorar na
Vale. A cotação do minério de ferro no mercado internacional chegou a patamares
preocupantes, chegando a dezembro do ano passado a 38 dólares, valor mais baixo
já atingindo desde quando a cotação do referido minério passou a ser divulgado.
O que fez despencar os valos da CEFEM, conhecido popularmente como royalties,
que são pagos aos municípios, Estados e União pela concessão da atividade
mineral.
Por conta deste cenário Parauapebas sofre forte recessão
econômica, imposta pela dinâmica do mercado, especialmente o chinês, principal
destino do minério de ferro retirado das serras de Carajás. A Vale continua
demitindo funcionários, não renovando contratos com empresas terceirizadas,
cortando benefícios dos trabalhadores que continuam em sua folha de pagamento e
reduzindo no geral as despesas do custeio direto. O mais esperado e
significativo PL (Participação nos Lucros) já foi anunciado que não será
depositado nas contas dos pouco mais de oito mil funcionários, agora no mês de
março.
Todas essas medidas são conhecidas no meio das relações de
trabalhos. As empresas em época de crise, de incertezas econômicas, adotam
medidas que impactam diretamente na vida dos trabalhadores, o elo mais frágil
na relação de trabalho. Para manter a sua segurança contábil e financeira, a
Vale deverá continuar a cortar os custos de custeio e manter os investimentos
já planejados (medida de segurança para o mercado e aos futuros investidores),
mas diminuindo os custos de operação nas plantas já existentes.

Como é sabido, a cada ano, a produção mineral, especialmente
a do ferro, bate recorde. Novas projeções de vida das reservas são feitas,
sempre reduzindo o seu tempo de duração. E assim continuamos desde 1984, já são 32
anos de PGC (Programa Grande Carajás) na região e nenhuma ação concreta de
mudança na matriz econômica de Parauapebas e municípios vizinhos sairam do papel.
E a teoria da maldição dos recursos naturais que continua se firmando nesses
locais que possuem grande riqueza debaixo da terra, mas aumentam a pobreza na
superfície. Até quando?

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