Um ano depois, o que ainda esperar da operação “Filisteus”?

Compartilhe nas redes sociais.

Ontem (26), em meio ao feriado de Corpus Christi,
completou-se um ano que os agentes do Ministério Público do Pará desembarcaram
em Parauapebas e provocaram um verdadeiro abalo sísmico na “capital do minério”,
deflagrando a operação “Filisteus”. Os agentes cumpriam mandatos de busca,
apreensão e prisão de diversas personalidades políticas da cidade. As dependências
da Câmara Municipal de Parauapebas, casa de secretários municipais, vereadores
e até do prefeito foram “visitadas”, além do Palácio do Morro dos Ventos, sede
da prefeitura. Diversas camionetes deixaram esses locais lotadas de documentos,
computadores e anotações.
Nos últimos dias, o escritor e blogueiro Luiz Vieira,
iniciou em seu blog, contagem para a data de “aniversário” de um ano da referida
operação. Ontem, o nobre, abordou em seu blog a questão. São 367 dias (contando
com o ano bissexto e a data de publicação deste post) e nada de concreto
aconteceu, a não ser afastamento de alguns vereadores. Esperava-se que após
esse período bastante extenso, as investigações avançassem e que outros nomes
surgissem e fossem responsabilizados, haja vista, que o conteúdo das provas
encontradas é cabal e derruba qualquer tese de defesa.
Mas o tempo foi passando e nada de novo aconteceu. A Justiça
decretou segredo sobre o conteúdo das investigações e qualquer prova coletada.
Isso há meses, logo após os promotores do MP finalizassem a etapa de seus
trabalhos e enviasse todo o material periciado para a Justiça. Daí em diante,
tudo parado, sem sequencia e sem divulgação. Recentemente o promotor Nelson
Medrado, chefe das operações do Gaeco, concedeu entrevista falando sobre a
inércia que domina a operação e cobrou uma solução, inclusive pela pressão da
sociedade para que o processo destravasse.
A questão é saber por que parou? O que fez a operação “Filisteus”
uma faísca de esperança até então frustrada que – de fato – justiça seja feita
e que os malfeitores do erário público paguem por suas ações ilícitas? O que
tanto se esconde nos gabinetes da Justiça em Belém? A quem interessa na capital
do Pará a inércia que domina a operação?
O próprio Medrado disse publicamente que as provas ou evidências
que foram encontradas na Câmara Municipal de Parauapebas “são brincadeiras de
criança” perto do que estava sendo levantado no Palácio do Morro dos Ventos. Agenda
que foi encontrada na casa do prefeito Valmir Mariano que consta o nome de
diversos políticos, que fim levou?
Parece que a operação “Filisteus” chegou ao centro do poder
e se não fosse estancada, como tenta se fazer no plano nacional com a “Lava
Jato”, poderia derrubar o alto escalação da política paraense. Não há outra
explicação lógica para tal marasmo da Justiça em relação aos desdobramentos
sequenciais de todo processo investigatório.
Talvez o único ponto positivo que neste um ano da operação “Filisteus”,
foi ter deixado no município rodeado pela “cordilheira do ferro” foi a questão
da moralidade parcial. Não há dúvida que as ações práticas, in locu, realizadas
pelo Gaeco, fizeram as nossas autoridades políticas ficarem mais atentas,
espertas e “cuidadosas” com o bem e recurso público. Ao ponto pela primeira vez
na história, um presidente da Câmara Municipal devolver ao poder Executivo,
sobra do orçamento legislativo.

Recentemente um político da cidade me confidenciou que
depois da “Filisteus” todos estão “pisando em ovos” e pensando duas vezes antes
de qualquer decisão ou assinatura de documentos. Sabem que Parauapebas continua
na mira, mesmo que as ações se resumam – como sempre – aos “peixes pequenos”,
enquanto os “tubarões” continuam livres e soltos, protegidos por mantos grossos
e intransponíveis que chegam da capital do Pará. O que ainda esperar da
operação “Filisteus”? Com a palavra a Justiça paraense.

Seja o primeiro a comentar

Deixe uma resposta