O sistema político brasileiro está dominado pela Plutocracia

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Inegavelmente, basta analisar, comparar, fazendo o paralelo
com as disputas eleitorais dos últimos 20 anos que se perceberá o quanto o
nosso sistema político-eleitoral está caminhando a passos largos para a
concentração de poder em classes cada vez mais restritas e de maior poder
econômico. A chamada Plutocracia que significa o exercício do poder pelo grupo
mais rico. Essa questão, sem dúvida, cria gritantes e preocupantes distorções,
pois fomenta a desigualdade e cria pouca mobilidade política, processo
fundamental para a democracia representativa.
Não, por acaso que, depois da ascensão da Esquerda ao poder,
quando Lula venceu a eleição em 2002, gradativamente os partidos
ideologicamente esquerdistas, vem perdendo espaços no cenário nacional e mais
incisivamente no Congresso Nacional. O número de cadeiras nas duas Casas ocupadas
por parlamentares à esquerda vem diminuindo. O ex-presidente Lula em seu
primeiro mandato já teve grande dificuldade para compor a base de seu governo.
No segundo mandato a situação piorou. Dilma Rousseff viveu e vive o mesmo
dilema. O PT, por exemplo, conta hoje com 59 deputados federais, em 2002 foram
eleitos 89 parlamentares. E a tendência é que o partido tenha o seu quantitativo
diminuído após 2018.
A base dessas mudanças na representação política está no
sistema. O poder econômico manda no processo eleitoral. A cada nova disputa os
valores gastos aumentam (mesmo com determinação legal de “teto” para gastos em
campanha) não há como controlar o recebimento e uso de recurso. Claramente se
divide em dois grupos: o que é declarado e os valores que passam pelas mais
variadas manobras para serem usados sem serem “detectados” pelos órgãos
fiscalizadores.
Dentro do cenário político a pauta hoje está no
financiamento de campanhas. A relação entre governos, eleições e empresas, mais
especificamente empreiteiras, sempre ocorreram, não há novidade nesta relação.
A questão é saber até que ponto irá ou – como estamos acompanhando – até que
ponto isso determina o gerenciamento do Estado, das políticas públicas.
Sem reforma política não há como controlar ou, para alguns,
moralizar o processo político-eleitoral brasileiro. Não obstante, a esquerda
está sendo engolida pelo poder do capital. Aliado a isso, o campo progressista
vive crise de identidade. Não consegue avançar para além das velhas retóricas
ideológicas. Por isso, defendo a proposta do filósofo Mangabeira Unger, em uma
de suas últimas obras: “O que a esquerda deve propor?”.
Infelizmente, sem mudanças, sem reformas, continuaremos acompanhar o poder econômico ditar as regras. Famílias ricas se perpetuando no
poder, tornando a supremacia do campo ideológico direitista frente ao
esquerdista. Se o PT deixar o governo, poderemos caminhar para um grande
retrocesso social. É o Brasil caminhando para trás.

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