Operação Filisteus, acabou?

Compartilhe nas redes sociais.

No dia 26 de maio do ano corrente, ocorreu desembarque na cidade de Parauapebas do Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado) e logo cedo, no início da manhã da referida data, colocou em prática 17 mandatos que constavam busca, apreensão e prisão, emitidos pela Justiça da capital do Estado e solicitados pelo Ministério Público Estadual. Os agentes chegaram no raiar do sol nas residências do prefeito Valmir Mariano (PSD), do agora ex-vereador Odilon Sanção e de um empresário da cidade. 

O Ministério Público já vinha investigando diversas denúncias que pairam sobre a gestão do prefeito Valmir. Os procuradores desmontaram esquema criminoso oriundo de fraudes em processos licitatórios e superfaturamento de terrenos desapropriados pela prefeitura; emissão de notas fiscais frias e desvio de recursos públicos entre membros da câmara e o comércio na região. 

Na ocasião, além de residências, os agentes estiveram na Câmara Municipal (Várias portas de gabinetes de vereadores foram arrombadas para a apreensão de documentos) e na sede da prefeitura. Encheram camionetes de papéis que seriam analisados em Belém. A operação denominada de “Filisteu” foi a maior vista em Parauapebas. A cidade acordou com camionetes percorrendo a cidade em vários pontos e policiais de preto correndo para um lado e outro. 

Pelo volume de documentos e matérias apreendidos nas operações seguintes, sabia-se que as investigações levariam meses. Caberia a sociedade acompanhar e esperar por notícias que seriam divulgadas conforme o avanço das investigações, que foram divididas em duas frentes: denúncias contra a Câmara Municipal de Vereadores e outra que investigaria a Prefeitura de Parauapebas.

No caso dos edis, cinco foram presos e afastados de suas funções. Houve uma grande reviravolta no parlamento municipal. Mas em relação ao poder executivo, as consequências se restringiu a Semed, com a prisão de secretária e seu adjunto. Em secretarias nada aconteceu, apesar de documentos terem sidos levados. Na época o Gaeco centrou suas atenções no caso de compra e venda de terrenos que, segundo as investigações, foram superfaturadas. As denúncias atingiam em cheio a secretaria de habitação do município, mas nada de concreto aconteceu.

Por que o Gaeco não divulga informações sobre a operação “Filisteus”? Como andam as investigações? O silêncio causa diversas interpretações. A possível justificativa do Ministério Público seria a de não divulgar as ações, preservando assim o andamento do processo. Especulações afirmam que os documentos apreendidos, especialmente uma agenda na casa do prefeito Valmir, poderia comprometer grandes nomes da política paraense, além de membros da Justiça. Por conta disso, os promotores sofreram forte pressão política para abafar ou – pelo menos – tornar o processo moroso. 

Não podemos esquecer que a operação do MP poderá interferir diretamente na disputa eleitoral de 2016 e diretamente no comando político do Pará. O que esperar ainda da operação “Filisteus”?

Seja o primeiro a comentar

Deixe uma resposta