Operação Filisteus e a disputa pelo Palácio do Morro dos Ventos em 2016

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Não há como negar que a chegada do MPE (Ministério Público
Estadual) com o Gaeco (Grupo Tático de combate ao crime Organizado) em
Parauapebas no último dia 26, deixou e ainda deixará marcas profundas e
influenciará a disputa política- eleitoral que se aproxima no próximo ano. As
pilhas e pilhas de documentos que foram levados dos locais visitados pelos
investigadores comprometem muitas pessoas. Essas provas que estão em Belém, na
sede do MPE, indiciam empresários, vereadores, secretários municipais e o
próprio prefeito.
A cada “bloco” documental periciado, os investigadores
concedem entrevistas para tornar público as etapas da investigação. Sem expor
detalhes, mas externando alguns pontos do processo, sabe-se que existe em
Parauapebas um grupo que foi montado para desviar recurso público. Isso é
inegável. As provas apontam para isso de forma irrefutável. Segundo as
informações divulgadas, o esquema funcionava entre um grupo de empresários,
vereadores, secretários e até o próprio prefeito. O chefe do executivo parauapebense
firmava compromisso com pessoas que financiaram pesadamente a sua campanha em
2012. E que estavam no esquema para recuperar o valor “investido”.
A situação chega a ser vexatória ao ponto de promotores ao conceder
entrevista não conseguirem segurar o riso ao descrever o “modus operandi” do
grupo. Ao relatarem, por exemplo, que na Câmara Municipal se comprava por
valores absurdos café, bolachas e até requeijão, com notas frias e que eram a
fonte do desvio de recurso. Lembrando que não é só a prefeitura da “Capital do
Minério” que possuí orçamento gigantesco. A CMP para 2015 conta com 40 milhões
de reais em seu orçamento.
Pois bem, e o que isso influencia o jogo político e a
disputa eleitoral em 2016? Primeiro, há fortes indícios que o prefeito Valmir
Mariano (PSD) poderá ser cassado, ou no mínimo afastado do cargo. Se isso não
acontecer, e o prefeito se mantiver no cargo até o fim do seu mandato, não há
dúvidas que chegará para disputar a reeleição em situação complicada, rodeado
de suspeitas e sendo massacrado por seus adversários. Se for afastado a
situação piora.
No início do ano, quando só se suspeitava que haveria
esquema de desvios de recursos públicos na prefeitura de Parauapebas, escrevi
no blog longo texto que tem como título: “Ainda dá tempo, Valmir?! E expliquei
a época que os pontos de exclamação e interrogação seriam o “x” da questão. Sem
todo esse terremoto investigativo que tomou conta de Parauapebas, já
questionava se o prefeito estaria em condições de se reeleger. Alertava que
precisava dar um “choque de gestão” em sua administração para melhorar o seu
baixo índice avaliativo em pesquisas de consumo interno.

Com esse cenário de incertezas que parece ter tomado conta
de Parauapebas e sem validade para terminar, a oposição se fortalece, há dúvidas
se o prefeito chegara ao fim de seu mandato e terá condições de disputar
competitivamente a sua reeleição. Melhor para o ex-prefeito Darci Lermen (PT) e
o ascendente Marcelo Catalão (DEM) que parecem ser – até o momento – os principais
adversários do prefeito Valmir Mariano (PSD). Vamos aguardar que ainda a
operação Filisteus deverá trazer à tona novas denúncias e ações que poderão
mudar mais ainda o já conturbado cenário político de Parauapebas.  

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