Pará, dominado pelo medo. Cadê o governador?

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Não é novidade ou algo casual, a violência no estado do Pará chegou a patamares críticos e extremamente preocupantes. O sistema de segurança pública se apresenta insuficiente perante à escalada de violência que tomou conta dos quatros cantos do estado do Pará, especialmente na RMB (Região Metropolitana de Belém). A referida área é a comprovação prática do atestado de incompetência dos governos do PSDB.

Desde 1994, quando o ex-governador Almir Gabriel venceu a disputa pelo Palácio dos Despachos, dando início a dinastia tucana no poder central paraense, que os índices de violência não conseguem ser amenizados. Pelo contrário, só aumentam, tornando-se críticos. Foi assim nos dois governos de Almir, depois o primeiro de Jatene. Nos quatro anos do PT no governo do Pará a diferença para melhor não foi sentida. Jatene retornou e agora em seu segundo mandato, o terceiro de Simão, a segurança pública está um caos.

Só em 2015, 19 policiais militares perderam a vida. No ano passado, por conta da morte de um PM, uma onda de violência varreu a periferia de Belém. Nove pessoas foram mortas em um intervalo de duas horas, e até hoje nenhum culpado foi identificado. Em todos esses fatídicos casos algo em comum: o sumiço do governador Simão Jatene. Em todos os casos de crises em diversas áreas de governo, o mandatário estadual some, não aparece e deixa seus subordinados resolverem.

A fama de evaporar em situações de crise não é de hoje. Jatene fez disso a sua marca. Seus assessores diretos sabem que o governador irá sumir na próxima e em quantas crises ainda vierem ocorrer. Com essa postura, Jatene infla ainda mais a sensação de caos. Governador ao assumir publicamente o controle da situação e, por exemplo, em uma entrevista coletiva, anunciar mudanças, determinar uma resposta à altura ao crime organizado, poderia, pelo menos, psicologicamente amenizar o cenário. O cidadão de bem se sentiria mais protegido, mais acolhido pelo Estado.

De certa forma a crise na segurança pública é culpa do próprio Estado e dos governos que o geriram nas últimas décadas. O efetivo da Polícia Militar do Pará é de pouco mais de 16 mil homens. Por recomendações internacionais, levando em consideração o número de habitantes, no caso do Pará 8,5 milhões de pessoas, o efetivo deveria ser de pelo menos 31 mil homens. Além do quadro de segurança insuficiente, dos 14 mil PMs, mais de 20% estão fora das ruas, lotados em órgãos, repartições públicas e zelando pela segurança de autoridades.

Saindo dos muros que cercam a RMB e a separa do resto do Pará, a questão da segurança pública é ainda mais crítico. Só para citar um exemplo, a cidade de Parauapebas, a sexta maior em população do Pará, segundo o Censo do IBGE com 189 mil (quem mora aqui, sabe que esse contingente populacional é bem maior) conta com 34 policiais militares por turno. Imaginem o que é isso? Policiamento ostensivo não existe. Combate ao crime organizado é pura falácia, discurso palaciano.

Esse quadro caótico pode ser potencializado em cidade menores, que padecem de infraestrutura mínima de segurança. Enquanto isso, o caos deverá continuar e sem a presença do governador que prefere se esconder do que enfrentar pessoalmente a questão. Salve-se quem puder, o comandante sumiu.

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