Parauapebas além das crises política e econômica, agora poderá enfrentar crise hídrica

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Parauapebas vem enfrentando uma das piores estiagens dos últimos anos. Não chove no município há várias semanas e o nível do Rio Parauapebas, que abastece a cidade, está marcando 4,71 metros, índice mais baixo já registrado. Em 2014, para grau comparativo, na mesma época, a régua marcava 4,90 metros. A seca já se reflete no abastecimento de diversos bairros pela cidade, onde milhares de residências já estão ficando por dias sem água na torneira.

Nossa região, Parauapebas, é hidrograficamente bem localizada, mesmo com essa vantagem geográfica, vem sofrendo alguns desconfortos em relação ao abastecimento hídrico como: falta d’agua para as atividades domésticas e comerciais, sucessivamente todos os dias em muitos bairros. Além disso, o desperdício e a falta de racionamento dos moradores aceleraram a insuficiência de água no local. De acordo com a SAAEP (Serviço Autônomo de Água e Esgoto) consumo de água em Parauapebas é superior a 220 litros de água por pessoa que o órgão fornece diariamente, enquanto a média mundial é 120 litros de água. Esse consumo além da média pode ser explicado ou justificado pelas características climáticas do lugar. A nossa cidade é extremamente seca, o que torna o aumento de água inevitavelmente maior.

O município é situado em toda a sua extensão, ao lado, o rio que leva seu próprio nome, além de ser interrompido ao meio por pelo menos três riachos, perene, que escoam para o rio, este usado para captação de água, podemos concluir que recursos hídricos não é o problema em nossa cidade. Um fato é que os riachos não são preservados, os tornando-os ecologicamente precários, onde seus mananciais são ignorados no âmbito preservacionista e suas margens são devastadas, em especial, por iniciativas imobiliárias, as mesmas protegidas por lei.

A Seca em Parauapebas é uma das possibilidades não aplicável, mas a falta de diligência para tornar a água um bem comum, zelável, reaproveitável e preservada é evidente. A responsabilidade fica à mercê apenas dos que se auto conscientizam (que são poucos) assim acarretando a degradação/poluição/deterioração dos nossos recursos naturais.

A situação deve se amenizar nas próximas semanas com a chegada do inverno amazônico, onde o índice pluviométrico aumenta consideravelmente, mas percebe-se (sem precisar ser especialista no assunto) que a cada ano o cenário analisado vem piorando, ou seja, a estiagem aumenta, ao mesmo tempo que o consumo continua subindo consideravelmente, haja vista, que a população de Parauapebas continua crescendo, mesmo em ritmo menor, do que apresentado nos últimos anos.

O Brasil está cheio de exemplos de péssimas gestões de governos estadual e municipal em relação ao gerenciamento de referido importante recurso hídrico. Em Parauapebas o processo se repete. Claramente os governos que passaram pelo Palácio do Morro dos Ventos nunca implementaram planos ou ações estratégicas que busquem equacionar o problema, que por fatores climáticos, aliados a falta de ação do poder público responsável, vai tornando a “capital do minério” um deserto urbano, com a constante crise hídrica, que deverá ser maior, mais constante, e por períodos que possam ultrapassar o período de estiagem.

Ano que vem ocorrerão eleições municipais para decidir quem será o novo mandatário da cidade. Quais candidatos abordarão tal temática? Quem irá liderar o debate sobre esse importante e essencial debate? Já passou da hora desse processo dialético entrar na pauta permanente das autoridades locais. Antes que seja tarde demais ou que as medidas tomadas possam ser mais difíceis ou quem sabe até irreversíveis.

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