Parauapebas e a cultura do fogo

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O fogo foi a maior conquista do ser humano na pré-história. A partir desta conquista o homem aprendeu a utilizar a força do fogo em seu proveito, extraindo a energia dos materiais da natureza ou moldando a natureza em seu benefício. O fogo serviu como proteção aos primeiros hominídeos, afastando os predadores. No inverno e em épocas gélidas, o fogo protegeu o ser humano do frio mortal. O homem pré-histórico também aprendeu a cozinhar os alimentos em fogueiras, tornando-os mais saborosos e saudáveis, pois o calor matava muitas bactérias existentes na carne.

O fogo também foi o maior responsável pela sobrevivência do ser humano e pelo grau de desenvolvimento da humanidade, apesar de que, durante muitos períodos da história, o fogo foi usado no desenvolvimento e criação de armas e como força destrutiva. Na antiguidade o fogo era visto como uma das partes fundamentais que formariam a matéria. Na Idade Média, os alquimistas acreditavam que o fogo tinha propriedades de transformação da matéria alterando determinadas propriedades químicas das substâncias, como a transformação de um minério sem valor em ouro.

E assim o fogo foi criado e se desenvolveu acompanhando a própria evolução humana. Resolvi abordar tal questão pelo que acompanho “in loco” em Parauapebas. Moro na referida cidade a pouco mais de um ano, chegando em Carajás em outubro de 2014, no término do período de estiagem, quando as queimadas e incêndios tomam conta da região, avançando sobre áreas verdes, mudando a paisagem, clima e qualidade de vida. Pele período que fixei residência, não vivi o atual período, temido e reclamado por todos.

No mês corrente tive a oportunidade de trabalhar com meus alunos de uma escola particular da cidade a questão das queimadas e incêndios. Primeiramente, se faz necessário diferenciar ambos. O primeiro é uma conhecida prática agrícola que tem como objetivos: controlar pragas, limpezas de áreas para plantio e renovação de pastagens. Assim sendo, o fogo é muito utilizado em nossa agricultura. Já incêndios são de proporções maiores, atingindo grandes áreas, sem planejamento, muitos considerados criminosos.

A questão central que este artigo quer debater é como são feitos, especificamente no caso das queimadas. Conforme descrito são necessárias para as atividades do campo, mas quase sempre, são descontrolados, sem controle, ocasionando sérios problemas ambientais em seu entorno.

Em minhas costumeiras pesquisas, quase sempre nos processos dialéticos que desenvolvo nas ruas, indagando pessoas, sou informado que as queimadas transformaram em diversos sentidos o município de Parauapebas, especialmente em sua área urbana. Ouço relatos que essas referidas atividades retiram a maioria da cobertura vegetal, ocasionando aumento da temperatura, refletindo em períodos de estiagem mais longos e secos, a exemplo do que estamos vivendo atualmente. Conforme escrevi sobre a questão, além das derrubadas de morros e queimadas das superfícies desses levantamentos naturais do relevo (Leia aqui) a questão ambiental em Parauapebas é mero detalhe institucional. A Semma tornou-se uma secretaria sem força, que serve muito mais aos arranjos políticos e distribuição de cargos do que realizar as suas obrigações institucionais. Não há por parte das autoridades competentes preocupação em preservar o meio ambiente. 

A situação está tão critica que em determinados dias a cidade inteira fica tomada por uma grande nuvem de fumaça, limitando a visibilidade. Estamos criando um clima insuportável na região. A cada ano com temperaturas mais altas, menor umidade e diminuição das áreas verdes. Até quando a cultura do fogo vai ser predominante na região, especificamente em Parauapebas?

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