Parauapebas e a institucionalização do calote

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No último dia 21, uma cena inusitada, diferente, repercutiu
por toda a cidade de Parauapebas. Pela manhã, um empresário que prestou
serviços à prefeitura, em frente ao Palácio do Morro dos Ventos, sede do poder
executivo, ao estacionar um trator com a faixa “Prefeito, paga eu”, cobrando o
mandatário municipal o pagamento de trabalhos realizados.O ato isolado representa o cenário da crise financeira que paira sob o erário municipal.
Em menos de uma hora diversos blogs e sites, inclusive com
repercussão em nível regional, chegando a imprensa de Belém, o caso tornou-se
público. Sem dúvida a criatividade do cobrador foi o ato mais falado. A
cobrança pública dos prestadores de serviços junto ao governo municipal (na
atual gestão) não é novidade. No primeiro semestre do ano corrente, uma dezena
de caminhões fecharam o acesso ao Palácio do Morro dos Ventos, justamente pelo
mesmo motivo: falta de cumprimento de pagamento de serviços prestados. Também é
sabido que muitos fornecedores comparecem ao prédio do paço municipal quase
diariamente, implorando para receber por serviços realizados.
Não é novidade que o atual governo municipal enfrenta
escassez de recursos. Uma alquimia financeira e contábil (não transparente e
pouco conhecida) é feita para que as contas – pelo menos as de custeio –
fechem. Virou rotina o remanejamento de recursos entre secretarias, com
prioridade para o fechamento da folha salarial. O que sobra é para
investimentos. Isso, talvez, explique a velocidade de tartaruga de algumas
obras pela cidade.
Com a redução considerável do volume arrecado pelos cofres
públicos municipais, o planejamento deveria ser feito com muito cuidado e
competência. Na prática não é o que se pode constatar. Tanto que o poder
executivo remete ao legislativo autorização para a suplementação orçamentária
todos os anos da atual gestão. A título comparativo, no ano passado, os
vereadores autorizaram 600 milhões ao prefeito Valmir e mesmo assim muitos
compromissos não foram cumpridos. Neste ano, mais uma autorização chegou aos
edis para ser aprovado.

Por isso, não será surpresa se outras cenas como a do último
dia 21, voltarem a ocorrer. Cadê o dinheiro que estava aqui? 

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