Parauapebas e a maldição dos recursos naturais. Parte II – Meu artigo semanal no jornal “Hoje”

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Parauapebas a “Capital do Minério” se orgulha de ser chamada assim. De ter um PIB
(Produto Interno Bruto) bilionário, de causar inveja a milhares de municípios
pelo Brasil. Orgulho ter ao seu redor a maior reserva mineral do planeta, com
jazidas quase infindáveis e com minério de ferro com a maior pureza que existe
em nosso planeta: 68% de hematita, bem acima da concorrência. Por isso o mundo,
especialmente a China olha para essa região.
Toda essa riqueza que a natureza fez concentrar aqui no sudeste do Pará
deveria criar uma rede de desenvolvimento econômico, pautado em diversas
modalidades. Desde a década de 80 do século passado que a exploração mineral
começou a revirar terra e enviar minerais para o outro lado do planeta que o
processo continua na mesma direção: extração e transporte e deverá assim
continuar.
Parauapebas recém completou 27 anos de emancipado e nasceu e está se
desenvolvendo exclusivamente da riqueza gerada pela extração mineral. Em quase
duas décadas os gestores que passaram pelo Poder Executivo Municipal (Seis
mandatos cumpridos e um, o atual, pela metade) e nenhuma ação foi colocada em
prática para criar alternativa econômica para além do minério ou que dependesse
cada vez menos dele.
Quais ações foram econômicas foram efetivadas para que o PIB do
município não fique quase que restrito ao minério? Polo industrial que seria
uma alternativa nunca saiu das retóricas dos pronunciamentos das autoridades. A
área existe para tal instalação, mas falta vontade política para erguer do chão
os primeiros pilares. Outra promessas dos governantes que passaram pelo poder
executivo foi tornar Parauapebas um centro universitário do sul e sudeste
paraense. Outra promessa que ficou pelo caminho…
Por depender economicamente de apenas um segmento, a cidade de
Parauapebas fica a dependência de cotação de preço, expectativas de mercado e
conjuntura econômica. As três possibilidades estão em queda livre. Por conta
disso a econômica parauapebense vem decaindo gradativamente e as demissões que
nos últimos anos não aconteciam começaram a se tornar realidade. A Vale, maior
empregadora da região, começou a distratar centenas de funcionários,
ocasionando o “efeito dominó” com as empresas terceirizadas e outros
empreendimentos econômicos.
Nos balanços do ano corrente que foram divulgados, em valores absolutos, voltaram
a cair as exportações do município de Parauapebas, que há anos está entre os
recordistas do Brasil. Em março deste ano Parauapebas exportou
US$358.999.475,00 uma queda de 11,04% em relação ao mês de
fevereiro. Mesmo com o baixo desempenho ao longo do ano, Parauapebas tem
números ainda invejáveis. O município é o terceiro que mais exportou em
2015, perde apenas para São Paulo e Rio de Janeiro, e mantém-se no topo quando
o assunto é saldo da balança comercial, com US$ 1.010.969.348,00 nos três
primeiros meses de 2015.
Parauapebas
ainda tem tempo e ferramentas para criar alternativas econômicas que permitam
depender menos dos minerais de seu subsolo. Mas parece que a riqueza fácil, os
royalties que são depositados nos cofres da prefeitura entorpecem os
governantes que por aqui passam. Se nada for feito, infelizmente Parauapebas
será mais um triste exemplo (dos muitos que já estão listados) da teoria da
maldição dos recursos naturais. Ainda há tempo!

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