Parauapebas e seu vazio político

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Parauapebas, também conhecida como a “Capital do Minério”, município de pouco mais de 189 mil habitantes, o quinto mais populoso do Pará (segundo o IBGE), com um PIB de 16 bilhões de reais em 2015 (chegou a 20 bilhões em 2013, ultrapassando pela primeira vez Belém, a capital do Pará) e um dos municípios que mais exportam no Brasil. Toda essa pujança econômica não representa ou garante representatividade política.

Segundo dados atualizados do TRE (Tribunal Regional Eleitoral) Parauapebas conta hoje com pouco mais de 137 mil eleitores, sendo o quinto maior colégio eleitoral paraense. Mas essa força eleitoral não garante representatividade política. O último deputado estadual que representou a referida cidade foi Milton Zimmer (PT) para a legislatura de 2010-2014. Na última disputa eleitoral, em 2014, nenhum representante da “Capital do Minério” foi eleito.

Marabá, por exemplo, na última eleição elegeu deputados estadual e federal. Isso representa recursos e força política. Em 2015 o referido município as margens do rio Tocantins, recebeu 96 milhões de reais em emendas parlamentares, recursos que ajudam no desenvolvimento da cidade, além de garantir os interesses marabaenses nos parlamentos estadual e federal. Outro exemplo é o município de Curionópolis, com pouco mais de 20 mil habitantes, mas que conseguiu eleger um deputado estadual, João Chamon, pai do atual prefeito do referido município. Chamon se elegeu para o parlamento estadual com votos de sua cidade e de todas as outras que se situam na região sudeste do Pará. E Parauapebas? Nada.

O deputado federal da cidade mais bem colocado foi Marcelo Catalão (DEM) atual presidente do Sinproduz e que tem como base de sustentação política o setor forte setor agropecuário de Parauapebas. Catalão recebeu só em Parauapebas exatos 22.236 (25,32%), num total de mais de 40 mil votos em todo o Pará para deputado federal, foi o mais bem colocado entre os candidatos da “capital do minério” que concorreram a uma das 17 cadeiras do estado do Pará no Congresso Nacional. Na disputa por uma cadeira na Alepa (Assembleia Legislativa do Pará) por Parauapebas o mais bem colocado foi Gesmar Rosa (PSD), na época o candidato a deputado estadual do prefeito Valmir Mariano, recebendo exatos 20.137 (24,61%), num total de mais de 32 mil votos em todo o Pará.

O que pode explicar esse vazio político, a falta de representatividade política de Parauapebas é o processo de autofagismo vivido e alimentado pela classe política da referida cidade. Os grupos político-partidários travam verdadeiras disputas épicas pelo poder que acabam por morrerem abraçados, sem vencedores. Preferem perder ou assistirem a própria derrota juntamente com as dos outros do que fomentar um projeto integrado que possa eleger um nome para representar a cidade em Belém ou Brasília.

Outro ponto que ajuda a entender o esvaziamento da representação política de Parauapebas é a falta de um ícone ou uma grande personalidade política. Em seus 27 anos de emancipação político-administrativa a “capital do minério” não conseguiu fazer surgir um forte nome que consiga aglutinar as diversas forças políticas em prol do município e de um mandato que defenda os interesses parauapebenses em Brasília ou em Belém. Quanto em recursos financeiros e projetos a “capital do minério” já perdeu nesses últimos anos por não ter representação política? Com certeza muitos milhões de reais.

Não por acaso que Parauapebas quase não se percebe ou se acompanha ações do governo do Estado do Pará ou do governo federal. Por aqui, as obras ou qualquer intervenção urbana/rural são com recursos da mineradora Vale ou da prefeitura. Por isso, desde quando cheguei por essas bandas, afirmo que Parauapebas se tornou um “principado”, ou seja, um Estado independente, encravado no sudeste paraense e que ostenta orçamento bilionário, sem precisar de representação política para além da Serra dos Carajás. Isso, pelo menos, enquanto durar a maior reserva mineral do planeta.

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