Parauapebas e a sua dura e contínua realidade

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No último dia 04, uma das piores notícias que o município de
Parauapebas poderia receber, veio à tona. O índice Firjan (Federação das
Indústrias do Rio de Janeiro) lançou através de seu índice de desenvolvimento
municipal, instrumento que analisa o desenvolvimento dos 5567 municípios
brasileiros seu balanço anual. Em seu critério avaliativo, constam análises
sobre emprego, renda, educação e saúde. No balanço divulgado o município de
Parauapebas, piorou, para não dizer que desabou e de forma inédita. Ou seja,
desde quando foi criado, em 2008, Parauapebas só apresentava crescimento.
No caso específico da referida cidade, muitas variantes
devem ser levadas em consideração. Atualmente,
com IFDM de 0,722 (a escala vai de 0 a 1, e quanto mais próximo de 1, melhor),
a “capital do minério” parece ter voltado no tempo, particularmente quando se
analisa o critério “Emprego e Renda”.
Os dados apresentados são referentes ao
ano de 2013, quando a cotação do minério de ferro (principal produto da
extração mineral, retirado da serra dos Carajás), ainda estava relativamente
favorável, o que influencia diretamente o processo de análise. Começo pela
questão mineral, justamente por ela ser 80% do volume dos recursos que a
prefeitura recebe em seus cofres.
Seguindo essa linha de
raciocínio, os próximos índices que serão divulgados nos próximos dois anos,
poderão colocar Parauapebas em uma situação ainda pior, talvez crítica. Nos
quesitos apresentados como base ao índice, emprego e renda foram as que fizeram
o quadro parauapebense desabar, justamente, pela crise econômica que o referido
município vive e sem perspectiva de melhoras, pelo menos, a curto prazo.
O quadro apresentado pelo
índice Firjan, deverá ser muito bem explorado na disputa eleitoral que se
aproxima, em 2016. Grupos políticos que foram divididos temporalmente desde a
criação do índice até o atual, deverá se utilizar dele para ganhar corações e
mentes. Pior para a gestão atual na questão comparativa.
Nas duas gestões do PT que
governaram Parauapebas, os números sempre foram favoráveis, o que tornava a
“capital do minério” o melhor município paraense em desenvolvimento social. Mas
essa análise precisa ser melhor trabalhada. Os pilares de mensuração do ranking
(emprego, renda, saúde e educação) nas gestões petistas estavam em franco
crescimento e com recursos para manter as despesas e fazer investimentos,
mantendo sob certo controle as demandas sociais. Algo bem diferente do atual
cenário. A diferença de arrecadação entre as gestões Darci e do atual prefeito
Valmir são grandes. Isso precisa ser levado em consideração.
Da mesma forma, a falta de
competência e habilidade política e gerencial do atual grupo que comanda o
Palácio do Morro dos Ventos precisa ser reconhecido. Com menos recursos para
demandas cada vez mais crescentes, requer do gestor municipal mais habilidade é
uma equipe competente para otimizar os recursos em prol das necessidades da
sociedade parauapebense.
Como a tendência é que a
“capital do minério” continue a ver despencar as fontes que a sustentam, cabe
aos seus futuros gestores e legisladores, maior habilidade política e gerencial
para enfrentar tempos difíceis e “invernos amazônicos” mais severos. O
município vizinho, Canaã dos Carajás, assumiu a liderança do ranking e lá
deverá continuar pelos próximos balanços, tudo por conta do projeto S11D.

A teoria da “Maldição dos
recursos naturais” que abordei por diversas vezes, continua assombrando uma das
cidades mais ricas do Brasil, assentada em cima da maior reserva mineral do
planeta, mas que não consegue se desprender de sua dependência mineral, que se
apresenta como fonte cada vez mais esgotável. A tão sonhada diversificação
econômica não passa de retórica que se renova a cada quatro anos em palanques e
reuniões políticas. O “principado” de Parauapebas a cada ano está mais parecido
com a realidade das cidades brasileiras e cada vez mais longe das padrões
europeus que por aqui ainda se insiste em fantasiar. 

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