Parauapebas e sua intermitente crise política

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No último dia 26 de maio, a cidade de Parauapebas recebeu a
operação “Filisteu” deflagrada pelo Gaeco (Grupo de Atuação Especial ao Combate
ao Crime Organizado) do MPE (Ministério Público Estadual), provocando verdadeiro
terremoto de grandes proporções na cidade. Dois vereadores foram presos (Arenes
(PT) e Odilon (SDD)) e ainda um empresário que segundo as investigações,
fornecia notas fiscais frias para a CMP (Câmara Municipal de Parauapebas).
Em Belém, as investigações prosseguem e deverão provocar
algumas surpresas, e até, segundo alguns, o afastamento do prefeito Valmir
Mariano (PSD). Desde de março do ano corrente, quando o chefe do executivo da
“Capital do Minério” sofreu tentativa de afastamento por parte dos vereadores
da oposição, que a cidade vive verdadeira crise política, que por
circunstâncias conjunturais, se alia a crise econômica que se abateu sobre a
produção mineral e a cotação do produto no mercado internacional.
O prefeito Valmir conseguiu se manter no cargo, enfraqueceu
o grupo de vereadores oposicionista (G-8), tirando um parlamentar e o colocando
em seu governo, restabelecendo assim a maioria. Travou verdadeira guerra nos
bastidores e conseguiu vencer. Tudo caminhava para “mar de marola”, quando o
Gaeco desceu em Parauapebas. Ai a tempestade recomeçou…
Além da pressão de ter documentos e ações investigadas, a
gestão do prefeito Valmir, agora enfrenta a pressão popular. Ontem, centenas de
pessoas fizeram manifestação no centro da cidade. De lá, foram até o Palácio do
Morro dos Ventos (sede da prefeitura) para protestar. Ocuparam o prédio por
alguns minutos. O suficiente para criar outro fato político de grande
relevância. Rapidamente a assessoria de comunicação da PMP emitiu nota
reconhecendo a legitimidade da manifestação e deixando claro que está
colaborando com as investigações do MPE.
Vários cartazes e mensagens foram estampadas pedindo o fim
da corrupção e o afastamento do prefeito Valmir e da secretária de habitação,
Maquivalda, que foi um dos principais alvos dos manifestantes, haja vista, que
a maioria das denúncias e investigações recaem na referida pasta.
Sem ir pelo
lado político e partidário, o que se percebe é que a população, independente de
classe social, está cansada ou cansou dos desmandos e das inúmeras denúncias
que pairam sobre as nossas autoridades políticas. E a pressão popular promete
aumentar. A paciência chegou ao limite.
Pelo visto a crise política de Parauapebas está longe de
acabar e deverá continuar pelo resto do ano, se manter – de forma intermitente
– por 2016, chegando às portas da disputa eleitoral. Para muitos especialistas
da seara política, qualquer diagnóstico será prematura e até palpite. Muitos
meandros precisam ser levados em consideração e algumas “cartas na manga” que
estão ainda por serem usadas.

O que se pode afirmar que Parauapebas padece de duas crises:
econômica e política e que já afeta fortemente o município mais importante para
a balança comercial brasileira. A crise econômica é cíclica, a cidade já passou
algumas vezes por esse cenário. Já a crise política promete ser longa e intermitente.
Pobre cidade rica.

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