PMDB: de protagonista do processo de redemocratização ao fisiologismo puro

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O Partido do Movimento Democrático Brasileiro, fundado em
1985, tendo como base políticos e simpatizantes do MDB (Movimento Democrático
Brasileiro), legenda que era oposição ao regime militar e disputava com a Arena
(Apoiador do regime de exceção) espaços e representações políticas. Enquanto o
PT nascia como um partido de esquerda, o PMDB conduzia o país para o processo
de redemocratização. Tornava-se ali a maior legenda partidária na nascente redemocracia
brasileira.
Naquele momento, via Tancredo Neves (Quem nem chegou a
assumir o cargo), depois José Sarney, os peemedebistas trilhavam o caminho da
liderança partidária nacional, de tornar o partido o maior e do coração dos
brasileiros. Mesmo depois do racha interno, quando descontentes entre eles FHC,
José Serra, Mário Covas e outros, fundaram o PSDB em 1988, o PMDB reunia ainda
forças e oportunidades de ser a maior legenda partidária do país. De cima,
soberano, deveria acompanhar a guerra entre o PT e o recém criado PSDB.
Mas o tempo passava e o PMDB mudava. Nos anos 90, permitiu
que o PSDB assumisse o país, tornando-se a base de sustentação do governo
tucano. Iniciava ali o processo longo e penoso do fisiologismo do partido
presidido hoje por Michel Temer. Desde quando a política brasileira se
polarizou entre PT x PSDB, o PMDB se mantém ao lado de um dos dois. Coincidentemente de quem governa, quem dirige a máquina estatal.
Essa metodologia peemedebista ocorre desde 1994, quando FHC
chegou ao Palácio do Planalto. Estamos em 2015 e o processo continua mais
latente, talvez agora, por incompetência do governo Dilma e do PT. É inegável
que o PMDB desde os anos 90, quando resolveu ter a postura de ser o partido de
base governista (Independente de qual partido esteja no Palácio do Planalto)
está mais forte, cobra mais, ameaça mais e “sangra” politicamente o governo.
Vale tudo em nome da maior bandeira e onde o PMDB se agarra:
governabilidade. Essa palavra tornou-se mágica na política brasileira,
especialmente nas falas dos representantes peemedebistas, que a usam como moeda
de troca, sempre por mais espaços em governos de todas esferas pelo país.
E o discurso e ação política do PMDB em nome da
governabilidade se espalhou pelo Brasil. Tornou-se um manual, seguido nos
governos estadual e municipal. Ou seja, tem que ser situação e oposição ao
mesmo tempo; elogiar e criticar determinado governo; cobrar cargos e espaços
políticos e se isso não der resultado, sem cerimônias ir para a oposição. Esse
é o enredo praticado pelo PMDB por todo território nacional, com raras exceções.
No Pará, por exemplo, sempre foi assim. O PMDB por aqui é controlado
pela família Barbalho, Jáder e Helder controlam a legenda a “mão de ferro”,
abrindo espaços para outros membros do clã familiar. Apoiaram os tucanos na
década de 90 e início dos anos 2000, quando o finado Almir Gabriel, governou o
Pará por oito anos; depois se mantiveram no governo, apoiando Jatene;
continuaram no Palácio dos Despachos com o PT e o governo Ana Júlia, quando rompeu
a aliança. Queriam mais espaços que o PT deixou a eles. Foram para a oposição e
usaram o seu império de comunicação (jornal mais lido do Pará, rádios e canal
de TV) para atacar o governo petista.
Em 2010, voltaram ao ninho tucano, novamente com Jatene. No
meio da gestão, romperam novamente por briga de cargos e espaços. Foram para a
oposição e fizeram novamente aliança com o PT, mas agora com uma novidade:
lançaram-se para disputar o governo do Pará.
O cenário era favorável, o PT depois de ter deixado o
Palácio dos Despachos, enfraqueceu-se politicamente, e o restava ao PMDB ocupar
o espaço e concorrer com os tucanos. Por pouco, Helder Barbalho não se elegeu.
Simão Jatene foi eleito para o seu 3º mandato à frente do Executivo paraense.
Voltando para a análise federal…

A estratégia peemedebista em relação ao governo Dilma é
enfraquecer o Palácio do Planalto, é “sangrá-lo”. Não seria interessante ao
PMDB sair, abandonar o barco ou com bem disse Cid Gomes: “largar o osso”. A
postura de criticar o governo (inclusive publicamente) faz parte da venha
tática do PMDB para cobrar mais espaços, mais cargos.

Sabem, por exemplo, que entre os governos petistas no plano
federal, o atual, o segundo mandato de Dilma é o mais frágil politicamente e
encontra dificuldades na economia, fazendo a popularidade da presidenta Dilma
despencar.
Cenário perfeito para o fisiologismo peemedebista. Já está mais do
que na hora do referido partido trocar (a exemplo do DEM, antes PFL) a sua
sigla; de PMDB para PG (Partido da Governabilidade), faz mais sentido e
representa na essência a postura e ação da legenda.

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