PMP x CMP: o autofagismo da crise política de Parauapebas

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A crise política vivida pelo município de Parauapebas parece
não ter fim. Já escrevi algumas vezes sobre ela, analisando os seus contornos e
suas consequências. Avisei também que pelos acontecimentos, haveria sempre
novos fatos e outros desdobramentos como consequência. Parece que virou novela
em que toda semana um capítulo novo é apresentado e o final parece que poderá
ter vários sentidos, como se o “autor” estivesse escrevendo o processo e
deixando para decidir no final, qual definição dará.
A questão é que há grande caminho entre a realidade e a
fantasia. A crise política em Parauapebas pelas proporções é algo inédito no
município em seus 27 de existência. Atrevo-me a dizer (mesmo morando a poucos
meses na cidade) que ela deixará maiores consequências do que a crise econômica
também vivida pela “Capital do minério”.
Os dois maiores centros de poder de Parauapebas: prefeitura
e Câmara, estão no “olho do furacão”, ou seja, na mira de órgãos de
fiscalização e dos veículos de comunicação do Brasil, que acompanha os
acontecimentos por todos os meios de propagação de informação. Nada escapa aos
olhares e leitura mais apurada. Não por acaso, por exemplo, que a Rede Globo
está na cidade cobrindo denúncias sobre corrupção.
Tudo estava calmo, tranquilo, transcorrendo bem, até a
câmara de vereadores, via G-5 (grupo dos vereadores da oposição) se tornar G-8,
ter a maioria na casa e tentar destituir o prefeito do cargo através de uma
manobra interna, se agarrando no regimento. A ação (conforme abordei várias
vezes aqui) foi – segundo alguns advogados – desastrosa por não cumprir todas
as etapas legais. O prefeito Valmir não saiu do cargo, se encastelou na
prefeitura e continuou despachando de seu gabinete. Mas a guerra estava
declarada.
Semanas depois veio a revanche, o prefeito começou a minar o
grupo. Primeiro, trouxe para o seu lado um opositor. O vereador João do Feijão
foi “convidado” para ser secretário municipal, cargo que foi aceito sem muito
rodeio, deixando a sua cadeira no parlamento para Zacarias de Assunção, seu
suplente, que antes mesmo de assumir, declarou apoio ao prefeito. Pronto, como
uma única “tacada” Valmir restabeleceu a maioria no parlamento municipal e
enfraqueceu moralmente e numericamente a oposição.
Tudo acalmou novamente até que o MPE (Ministério Público Estadual)
e o seu Grupo Tático de Repressão ao Crime Organizado (GAECO) desembarcou em
Parauapebas. Novamente as sedes dos poderes executivo e legislativos foram “visitadas”
pelos promotores e investigadores. Nos dois lugares citados, foram encontrados –
segundo o MPE – fortes evidências de desvios de recursos públicos.

A partir daí a crise política começou a ter contornos de
autofagismo. O prefeito querendo tirar o foco do Palácio do Morro dos Ventos
com as denúncias na Câmara. E vice-versa também é verdadeiro. Esse jogo de “cabo
de guerra” entre os poderes municipais só piora o cenário e cria
verdadeiramente uma grave crise institucional em Parauapebas, que poderá causar
sequelas piores do que a queda na cotação do minério vem causando. O processo –
conforme escrevi em outro post – é intermitente. A teoria da “maldição dos
recursos naturais” parece – no caso de Parauapebas – não ter ficado restrito a
economia, passou para a seara política também. Pobre cidade rica.

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