Processo de Impeachment: a confirmação do desastre político dos governos Dilma

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Para escrever a mais nova reflexão e provocação, se fez
necessário uma volta no tempo. Especificamente em 2010, mês de outubro, momento
em que estava eleita Dilma Rousseff, dando continuidade ao projeto de poder do
PT, após oito anos de governo Lula. Na ocasião, escrevi que, o novo governo que
começaria a ser formado, poderia ter em sua marca (levando em consideração o
perfil de sua líder) notável competência técnica e deslizes na seara política,
na articulação que faz manter a tão esperada governabilidade.
Quando postei o texto, fui criticado por muitos. Afirmavam
que eu iria me surpreender e perder. Outros afirmavam que o governo Dilma seria
melhor do que o de seu antecessor, pelo simples fato de ser mais técnico, e que
isso ocasionaria, quase que, por inercia, o controle político, pelas mudanças
positivas que o governo estaria promovendo. Seguindo a mesma linha de
raciocínio, alguns críticos diziam que a técnica é mais importante que a política.
Claro que um depende do outro. Um governo – independente de
esfera – necessita de quadros técnicos e políticos. Faz-se necessário promover
os dois, mesmo que, dependendo das particularidades, tende a pesar mais para um
do que para outro. Ter bom desempenho técnico é obrigação e mantém bons índices
avaliativos. A articulação política mantém a “tranquilidade” e permite a um
governo funcionar.
Em grau comparativo, nos oitos anos de Lula no Palácio do
Planalto, seu governo enfrentou diversos ataques, alguns em alto nível de
artilharia da mídia, com solavancos dos partidos da oposição. O tal “Mensalão”
foi um exemplo emblemático. Mas nada que pudesse – pelo menos – ameaçar a
manutenção do governo, ou algum pedido ou avanço de impedimento legal.
Articulação do governo era cuidada pessoalmente por Lula, reconhecidamente um
maestro na área. O PMDB sempre esteve nas rédeas do Palácio do Planalto, com
alguns atritos “programados”.
Pois bem, o que prognostiquei em outubro de 2010, reforçando
a tese em janeiro de 2011 (ocasião da montagem do novo governo), Dilma poderia
ter uma gestão mais técnica e bem menos política. E isso poderia ocasionar
problemas, haja vista, que o fisiologismo político sempre tomou conta de
Brasília. Em seu primeiro mandato, alguns problemas já apareciam, como falta de
instabilidade nos partidos da base e maior atrito com o maior deles, o PMDB.
Isso se confirma com os diversos rebatimentos nas reformas ministeriais.
Não, por acaso, que a reeleição de Dilma sempre esteve em
xeque. No final, depois de alguns sustos (inclusive na hora da apuração), a
petista confirmou a sua estada por mais quatro anos no Palácio do Planalto. Mas
claramente sem controle político. Já iniciou o segundo mandato com uma base de
apoio em retalhos e com a oposição com a “faca nos dentes”, não aceitando o
resultado das urnas. A mídia percebendo a fragilidade governista fez o seu
papel de promover, primeiramente, através de terrorismo econômico, a pressão
contra o governo; depois, aliado com setores do judiciário, mais pressão.
Dilma viu ruir rapidamente a sua base de apoio no Congresso
Nacional e seus índices de popularidade. Avaliação do governo chegou a
patamares preocupantes. Estava em curso a tática de tirá-la do poder, não
esperar por 2018, não permitir que ela governe e deixe a cadeira em condições
para que Lula retorna-se, mantendo o projeto de poder do PT.
Tudo isso aconteceu ou chegou aos patamares atuais, em
parte, por deslizes, responsabilidades do próprio governo. Escrevi por diversas
vezes, em ocasiões distintas, os erros políticos que levaram ao processo de
impeachment. O dispositivo do impedimento é legal, está garantido na
constituição, mas também é, sobretudo, a confirmação do desastre político que
foi o governo Dilma.
Agora só nos resta esperar a votação do impeachment no
plenário, no domingo para saber qual rumo a política brasileira irá seguir. Se
Dilma sair, Michel Temer assume e deverá governar até 2018 (levando em
consideração que o Senado irá validar a decisão na Câmara) em um cenário
político devastado e sem apoio da maioria da sociedade. Erros políticos não são
perdoados e alguns são irremediáveis. 

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