Rio Parauapebas pode morrer

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Principal curso d’agua da região de Carajás, o Rio
Parauapebas ‘pede socorro’ para não se tonar, em um futuro não muito distante,
esgoto a céu aberto.  Cortando três municípios com forte atividade
mineral, o Parauapebas vem sofrendo degradação contínua desde sua nascente, em
Água Azul do Norte, até desembocar no Rio Itacaiúnas, já no município de
Marabá.
Devido a forte migração por conta da atividade mineral, as
cidades de Canaã dos Carajás e Parauapebas sofreram em curto espaço de tempo
enorme explosão demográfica. Boa parte dos bairros foi criada sem qualquer
planejamento. Sem rede de esgoto, toda água usada nas atividades doméstica é
despejada em córregos, que compõe as artérias que alimentam o Rio, como é o
caso do Córrego Plaquê, em Canaã dos Carajás, e o Igarapé do Coco, em
Parauapebas. Após a primeira chuva forte que caiu em Parauapebas ano passado,
várias espécies de peixes apareceram mortas no rio.
O laudo com as causas da mortandade dos peixes até agora
ainda não foi divulgado pela Secretaria Municipal de Meio Ambiente (Semma),
mas, à época, a suspeita era de que as águas poluídas do Igarapé do Coco,
despejada em grande quantidade por conta da forte enxurrada, causou a tragédia.
Parauapebas, aliás, é a cidade que mais contribui para a degradação do rio.
Sete bairros populosos estão ás margens do rio, como é o
caso do Primavera, Liberdade I e II, Jardim América, Residencial Brasília e
Riacho Doce. Mais o rio ainda recebe grande quantidade de efluentes despejado
pelo rio Sebosinho, que já virou um esgoto a céu aberto, recebendo diariamente
descarga de dejetos dos bairros Rio Verde, Bairro da Paz, Liberdade e
Guanabara.
O rio tem 350 quilômetros de extensão e corre na direção
sul-norte. É formado pela junção do Ribeirão do Caracol com o Córrego da Onça,
ele recebe pela margem esquerda o Córrego da Goiaba, os igarapés Gelado e da
Gal e os rios Sossego e Sapucaia. Pela margem direita recebe o Igarapé Ilha do
Coco e os rios Plaquê, Verde, Novo e Caracol. Vale destacar que o Rio Caracol é
um e o Ribeirão do Caracol é outro. Em seu alto curso até o Rio Sossego, o
Parauapebas é conhecido entre os ribeirinhos como Caracol ou Plaquê. Também
recebe o nome de Rio Branco em seus cursos médio e baixo.
Antes cheio de vida e fonte de alimento e água potável para
as comunidades ribeirinhas, o rio vem agonizando ano a ano e o seu volume reduz
na mesma escala. Este ano, ficou completamente seco em alguns pontos, tanto em
Parauapebas como em Canaã dos Carajás, revelando o alto grau de degradação que
vem sofrendo. Além de lixo, principalmente materiais que levam anos para ser
decomposto pela natureza, e efluentes de esgoto e fossas, o Parauapebas está
assoreado, com as matas ciliares quase inexistentes (item vital para vida de um
rio) e ocupação irregular de suas margens. A fronteira agrícola e a mineração
também somam nesse processo que está levando à morte o principal curso d’água
da região e de onde é captada a água que abastece Parauapebas.
Segundo dados de um estudo científico intitulado
“Diagnóstico da Qualidade da Água do Rio Parauapebas”, feito por pesquisadores
da Universidade Federal do Pará (UFPA), revela que o desmatamento das matas
ciliares, a atividade mineradora, a retirada de areia e seixo para construção
civil e a expansão urbana não planejada, com a invasão irregular da beira do
rio, têm causado impactos nocivos ao Parauapebas.
O índice de qualidade da água indica que tem havido
transformações graves no rio e que, se nada for feito para conter o desgaste,
em futuro não muito distante, a capacidade de uso e reuso da água estará
comprometida, o que pode ser um grave problema principalmente para Parauapebas,
que corre o risco de vir a sofrer com racionamento de água. Na tarefa de evitar
a morte do Parauapebas, Poder Público e comunidade necessariamente teriam que
andar de mãos dadas, coisa que ainda está longe de acontecer. Sem algo mais
específico, algumas medidas paliativas estão sendo realizadas.
Por parte do Poder Público, a Secretaria Municipal de Meio
Ambiente informa que acompanha situação do rio e que o município vem adotando
algumas medidas. Entre elas está o projeto educativo, que vem sendo realizado
pelo Centro de Educação Ambiental de Parauapebas (Ceap), voltado à comunidade
em geral, que chama atenção sobre a importância de cuidar e preservar o rio. De
acordo com a secretaria, no ano passado, por exemplo, o principal tema
trabalhado pelo projeto Criança Ambientalista, que atende alunos da educação
infantil no município, foi a “Água”. Alguns professores desenvolveram ações
dentro das escolas com a temática.
Já o Projeto Jovem Ambientalista (PJA) levou os alunos para
conhecer as margens do Rio Parauapebas para ver a realidade e entender que o
rio precisa ser cuidado e preservado. O objetivo é fazer com que a nova geração
seja multiplicadora dessa causa. Além disso, a Semma ressalta que o Serviço
Autônomo de Água e Esgoto de Parauapebas (Saaep) também realizou, no ano
passado, uma ação ambiental com o objetivo de mapear a atual situação do rio.
Na ocasião, foram verificadas áreas degradadas e profundidade.
O Departamento de Meio Ambiente do Saaep destaca que a
degradação do rio é uma situação que merece atenção especial, tendo em vista
que ele é a principal fonte de abastecimento de água da cidade. Diante disso,
as medidas para a sua conservação estão sendo tomadas, por meio de ações junto
à comunidade e com órgãos parceiros.
Fonte: Portal Canaã

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