Rio Parauapebas, por que não?

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Quando se é jovem, universitário, é normal se ter sonhos,
objetivos, traçar metas, ações que se pretende realizar. Foi assim comigo e deve
ser com todos que adentram no ensino acadêmico. Nessa faixa etária, o espírito revolucionário
transborda. Em alguns ele continua, em outros diminui, como também se apaga no
decorrer dos anos.
Lembro-me bem, como se fosse hoje, os primeiros dias no
curso de geografia. Apresentação da grade curricular e das matérias que seriam
ministradas, quase todas por doutores, alguns que só conhecia por livros,
escritos pelos próprios. Os meses foram passando e definir que teria um
objetivo em relação à geografia de forma bem prática, como uma devolutiva da imensidão
de teoria que recebi por anos da ciência geográfica.
Definir que logo após tornar-me professor formado, iria
sacrificar a família por um período e colocar em prática um grande objetivo,
arquitetado nas rodas de conversas nos corredores da faculdade, que seria
percorrer a extensão toda do rio Amazonas, da sua foz a sua nascente, nos Andes
peruanos. A principio, fui recomendado e convencido que a pretensão deveria
seguir por duas etapas: a primeira com saída de Belém chegando até Manaus e a segunda
seria da capital amazonense até à nascente, a mais de 2500 metros de altitude.
Sem rodeios, confesso que nunca consegui colocar em prática
essa pretensão. E sinceramente nem deverei colocá-la. Vontade ainda possuo, mas
as circunstâncias da vida, bem diferentes da época de universidade, me impedem.
A ideia além da viagem era registrar em caráter de análise socioeconômico, os municípios
que estão nas margens do rio Amazonas e transformar essa experiência em livro,
construída a partir das observações diárias, sacramentadas em um diário de
bordo.
O leitor que está lendo esse texto deve se perguntar o porquê
dessa estória e o que ela tem haver com o título? Tudo e talvez – dependendo do
ponto de vista – nada. A proposta de realizar ações práticas e transformá-las em
livro ainda existe, persiste e não deverá me abandonar. A questão é reconhecer que
o rio Amazonas é algo inatingível para mim, humildemente reconhecido.
Moro em Parauapebas a pouco mais de um ano. E desde quando
cheguei por essas bandas me mantenho inquieto em relação a diversas temáticas,
ou se preferir, problemáticas. Entre elas, o rio Parauapebas me chama mais
atenção. Já escrevi sobre o referido recurso hídrico algumas vezes, o colocando
na pauta de minhas reflexões e provocações não só no blog, mas também em minhas
colunas em site e jornal.
Pois bem, com o rio Amazonas descartado, retomei a minha
pretensão agora ao rio Parauapebas, recurso hídrico muito menor, mas com
desafios grandes, pela sua própria geografia. A proposta seria percorrer toda a
sua extensão, que ultrapassa 350 km, cheio de obstáculos naturais, com dezenas
de corredeiras, muitas rochas, o que tornaria o percurso mais penoso.  
A proposta teria como culminância ao fim da ação prática,
escrever um livro sobre a experiência. Relatar fatos e propor ações ao maior
recurso hídrico que abastece o quinto maior município do Pará em população,
segundo o último censo do IBGE. Vou amadurecer a ideia, estudar mais afundo o projeto e
tentar convencer alguém a comprá-lo e dividí-lo comigo. Repito a indagação
deste texto: rio Parauapebas, por que não?

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