“Se o vereador não for corrupto ele não se sustenta com o salário que ganha”

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O vídeo acima foi gravado na sessão do dia 28/04/2015 da Câmara Municipal de Parauapebas, por ocasião do pronunciamento do vereador Odilon Rocha (SDD) que atualmente está em seu quinto mandato naquela casa. É o mais experiente entre os seus pares legisladores. O referido vereador também acumula a função de líder do governo municipal de Parauapebas. 

Segundo apurado pelo blog o salário mensal de um vereador em Parauapebas é de R$ 10.500,00. Sem contar os repasses referentes ao gabinete e pagamento de inúmeros serviços que todo vereador tem constitucionalmente direito. 

O referido parlamentar deixa claro em seu pronunciamento que precisa-se “dar um jeitinho” para que as contas pessoais fechem no fim do mês e que o referido provento recebido não é suficiente. 

Pergunto: como professores, por exemplo,(Pegando apenas uma classe a grau de comparação), sobrevive? Como fechar as contas no final do mês com um salário de R$ 3500,00 líquidos, por 200 horas trabalhadas? 

Qual jeitinho um professor daria para fechar as contas? Seria corrupto como sugere o nobre vereador? E outras classes que ganham na mesma margem ou até bem menos? A única saída seria se corromper? Todos os trabalhadores brasileiros assalariados que estão insatisfeitos com os seus proventos e que tem dificuldade de “fechar as contas” no fim do mês devem fomentar a ilegalidade, atos ilícitos? 

O fato é que infelizmente – isso pelo Brasil – a nossa classe política a cada dia vem caindo no desgosto da sociedade, tornando a política (Aquela partidária, do dia-a-dia e não teórica, no plano das ideias) cada vez mais longe dos que mais precisam. Poucos políticos mantém a admiração e respeito da sociedade. E esse cenário tende a se tornar cada vez mais raro. 

O discurso do vereador Odilon não é um caso isolado e nem um pronunciamento inédito. Na verdade, poucos o tem coragem de fazê-lo, mas não é novidade o que acontece nos bastidores políticos pelo Brasil. 

E a classe política cada vez mais longe da sociedade. Reforma política vive engavetada, nem pensar em fazê-la, por isso cenas como essa acontecem e se tornaram – infelizmente – banais, corriqueiras e que fazem parte do processo político-eleitoral. Até quando?

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