Seduc e sua sina de derrubar pretensões políticas de seus titulares: o caso Helenilson Pontes

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Em uma reunião política em 2010 no qual fui convidado, entre
uma fala e outra, pude conversar ao “pé do ouvido” com um deputado estadual do
PT. A gestão era de Ana Júlia Carepa e que vivia grave crise política, com
baixo índice de aprovação. O resultado todos conhecem: Simão Jatene acabou
voltando ao Palácio do Despachos para o seu 2º mandato.
Em relação a conversa reservada que relatei, o deputado que
no momento estava secretário de governo, me confidenciou que havia recebido o
convite para assumir a Seduc, nem pensou duas vezes em não aceitar. Se
estivesse aceitado, teria sido o quarto a chefiar a pasta da educação no
governo petista. O detalhe é que o citado é professor de formação, portanto,
seria coerente aceitar chefiar a pasta da educação paraense.
No desenvolvimento do processo dialético ao “pé do ouvido”,
o referido foi muito direto em afirmar: “Assumir a Seduc é um ‘tiro no pé’,
acaba com qualquer pretensão política. Aquilo lá é uma loucura”. Ainda
continuamos conversando outros assuntos e depois encerramos o contato. O
deputado (Que por questão ética prefiro não citar o nome) se reelegeu no
legislativo por ter feito bom trabalho em outra secretaria na gestão petista.
Aproveitei a conversa rápida (comum em reuniões políticas)
para refletir sobre o processo gerencial na Seduc. Dois anos depois, no meio da
gestão tucana, com diversas trocas de comando na pasta da educação, escrevi o
artigo: “Seduc, uma secretária ingovernável” e reunia as minhas reflexões sobre
o tema, além de ter como objetivo debater e propor ações em prol da educação
paraense.
O PSDB governa o Pará há 17 anos, foram 12 seguidos, o PT
governou por um mandato o Palácio dos Despachos e ambos os partidos pouco
conseguiram avançar ou melhorar a educação pública paraense. O cenário continua
desolador e sem perspectivas. Em comparação ao início da dinastia tucana no
Pará e o presente, parece que paramos no tempo.
Em seu novo mandato, o terceiro, Simão Jatene escolheu o seu
melhor nome do governo anterior: Helenilson Pontes. Já elogiei o
ex-vice-governador diversas vezes, e penso que o referido é hoje o melhor quadro
técnico público em solo paraense, por isso foi destacado pelo governador para
assumir a mais problemática de todas as secretarias de governo: Seduc. Que
aliás é responsável e conhecida no meio político por enterrar pretensões
políticas de seus gestores.
Helenilson é um nome de grande confiança do governador.
Conversas pelos corredores do Palácio dos Despachos afirmam que há grandes
chances dele ser o indicado para suceder Jatene, atropelando nomes de dentro do
ninho tucano como Zenaldo Coutinho e Manoel Pioneiro, prefeitos das cidades de
Belém e Ananindeua, respectivamente.
Em minha análise das eleições passadas, fazendo um balanço do processo, afirmei que Helenilson Pontes pode ter sido um dos maiores derrotados. Primeiro, por algumas semanas foi apontado o sucessor de Jatene; em seguida se lançou ao Senado Federal e teve votação pífia; na composição político-eleitoral perdeu a vice-governadoria e ganhou (como esperado e anunciado por mim após o fim da eleição) uma secretaria estadual como recompensa. Não se esperava que fosse a mais problemática delas: Seduc. 
O maior desafio de Helenilson, primeiro é se sustentar no
cargo, o que parece ser um grande feito, independente de gestor ou currículo. Se
mantendo e aos poucos conseguindo implementar as mudanças que pretende, poderá
se credenciar ao processo de disputa pela sucessão de Jatene, vencendo, é
claro, a pressão do ninho tucano. O certo mesmo é que a Seduc não tolera
principiantes ou gestores de qualificação duvidosa, o que não parece ser o caso
de Helenilson. Vamos aguardar o desenrolar dos fatos.  

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