Será que ela volta?

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No dia 12 de maio do ano corrente, a presidenta Dilma
Rousseff foi afastada temporariamente pelo Senado Federal, por 55 votos. O
processo então entraria em outro nível, não, mas de admissibilidade, mais de
processante. Os senadores da comissão do impeachment, pela Constituição tem
prazo de até 180 dias para julgar e afastar definitivamente ou não a
presidenta. Na teoria, a questão passaria a seguir o formato de julgamento, com
defesa e acusação se alternando no decorrer do cronograma das sessões.
No dia seguinte ao afastamento, Michel Temer assumiu o
comando do país de forma interina (pelo menos da teoria, o que de fato não vem
ocorrendo) e Dilma ficou instalada no Palácio da Alvorada, sede oficial da
presidência da república, esperando o processo de seu afastamento ser
concluído. Logo quando Temer assumiu, muitos tinham a impressão de que não
haveria muito que se fazer para salvar o mandato de Dilma, garantir uma virada
no jogo, a fazendo retornar ao poder e concluir sua gestão até o fim, em
dezembro de 2018.
Esperava-se também que o governo Temer começasse bem
(levando em consideração o conhecimento da máquina federal desde 2010 com a
vice-presidência e diversos ministérios), diminuindo a pressão social e
afastando as incomodantes acusações de golpista (sem aspas mesmo). Mas parece
que o combinado não foi bem cumprido, o governo erra demais, de forma
sucessiva, além de tomar decisões que aumentam a pressão, a insatisfação
popular, com medidas que nada o diferenciam do governo anterior e nem faz
cumprir discursos e promessas que foram firmadas, quando o processo de
impeachment começou.
Com isso, a popularidade de Dilma subiu como foi aferida por
institutos de pesquisas, inversamente proporcional a aprovação de Temer como
presidente interino. Manifestações pelo país (fato pouco abordado pela grande
mídia) contra o governo atual só aumentam. Temer se resume a sua residência
particular na capital paulista, ao Palácio do Jaburu, ainda sua residência
oficial e ao Palácio do Planalto. Não faz aparições públicas. Sabe que por onde
andar estará sofrendo forte pressão.
Para piorar a situação do governo provisório, medidas que
vão de encontro ao momento econômico do país e as diretrizes do ajuste fiscal,
foram tomadas. Aumento de despesas e custeio subirá exponencialmente,
derrubando o discurso de posse de controle dos gastos e austeridade. Temer sabe
que precisa urgentemente melhorar a avaliação de seu governo, diminuir a
pressão popular. Para isso, buscar agradar a todos, independente se isso aprofundar
os problemas das contas públicas.
A questão é saber: Dilma ainda voltará? Conseguirá assumir
novamente o mandato? A decisão está no Senado. O rito do impeachment, afirma
que são necessários 2/3 do total de cadeiras da Casa para aprovar o afastamento
definitivo de um presidente. Traduzindo em números, são necessários 54 votos.
Na aceitação do processo de admissibilidade, a oposição conseguiu 55, um a mais
do mínimo. A situação ainda não está definida. Dois senadores não votaram no
dia. Dilma precisa de três votos a mais para retornar ao poder. Temer afirma
que 60 senadores irão votar pelo afastamento definitivo. Em qual cenário
confiar?
Já se tornou público e notório que há insatisfações de
vários senadores em relação ao novo governo. E que há a possibilidade de
mudança de voto da turma de insatisfeitos. Claramente as trapalhadas do governo
interino ajudam Dilma, que neste momento, sem rodeios torce pelo “quanto pior,
melhor”.
O Palácio do Planalto sabe que não há garantias totais de
que Dilma será condenada e afastada em definitivo. Tanto é verdade que em
atitude sorrateira, mesquinha e deplorável, cortou as viagens da presidenta
afastada pelo país, além de cortar os insumos básicos de manutenção de sua
estrutura no Palácio da Alvorada. Com isso, Temer mostra a sua pior face e só
reforçam os piores adjetivos que são direcionados a ele. Quem perde com tudo
isso é o Brasil.

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