Temer: entre a lealdade e a tentação do poder soberano

Compartilhe nas redes sociais.

As últimas declarações públicas do vice-presidente da
república, Michel Temer, fez tremer as estruturas do Palácio do Planalto, ao
afirmar que: “se a economia não melhorar e a popularidade de Dilma não subir,
dificilmente a presidenta terminará o seu mandato em 2018”. Tal depoimento foi
feito quando o vice-presidente participava de um encontro na capital paulista.
Afirmação de Temer na condição de vice, o primeiro da linha
sucessória presidencial, provocou um “tsunami político” de grandes proporções
em Brasília. O que estaria por trás de tal discurso? Seria um aviso a
presidenta Dilma que o PMDB poderá deixar a base de seu governo? Apenas uma
autocrítica de um aliado? Ou simplesmente a análise verdadeira da realidade
atual do governo?
Vários sentidos foram dados a fala de Temer. A oposição
comemorou como se fosse um gol, aproveitou o fato para reforçar o discurso de
rompimento entre o PMDB e o governo e também o impeachment de Dilma. A tática
do PSDB é simples: convencer a maioria do PMDB a abandonar a base do governo,
aumentando assim a crise política, com isso, buscar no Congresso Nacional
(controlado pelo PMDB) o afastamento da presidenta. Essa pretensão só consegue
se sustentar com o convencimento que Michel Temer seria o presidente com total
apoio do PSDB.
A polêmica da afirmação de Temer não é necessariamente o
conteúdo. A reflexão do vice-presidente é correta e verdadeira. Dilma sabe que
se a economia piorar e a sua popularidade continuar em baixa, a sua manutenção
no cargo é duvidoso. O atual cenário político nos remete a 1992, quando
Fernando Collor sofreu impeachment (com características parecidas com os dias
atuais, especialmente no que diz respeito a falta de base do governo no
Congresso).

Michel Temer balança entre ser fiel a presidenta Dilma e a
tentação de assumir a presidência do país. Um novo Itamar Franco poderá estar
surgindo? Vamos aguardar os próximos acontecimentos da intermitente crise
política que domina e paralisa a capital federal. 

Seja o primeiro a comentar

Deixe uma resposta