TRADUZINDO DEPRESSÃO E SUICÍDIO

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Na maioria das vezes somos incapazes de detectar os sinais presentes ao nosso redor. Não temos olhares sensíveis para as dores dos nossos irmãos, nem para seus sorrisos.

Estamos no “Setembro Amarelo”, mês de prevenção ao suicídio, onde o objetivo é esclarecer à sociedade, cujas crenças a respeito do tema ainda envolvem muitos tabus e folclores. Vamos traduzir alguns dizeres a respeito do assunto?

Você já teve a experiência de dividir um assunto importante com alguém que não deu a mínima para você ou ao que você estava sentindo? Uma conquista, a conclusão de um trabalho que tenha exigido o seu máximo, a boa execução de uma tarefa bem difícil, a realização de um sonho tão almejado, enfrentar o medo de falar em público e muitas outras situações que envolvem preparo, esforço e dedicação. Nada mais natural do que querer compartilhar todo este sentimento de alegria e realização com as pessoas mais próximas de você.

Mas aposto que já aconteceu de você compartilhar algo com alguém que não deu importância ao tamanho da sua alegria ou que tenha minimizado a sua conquista. Mesmo para os olhos de quem se defina autoconfiante e seguro, isso parece ser bem ruim ou no mínimo inquietante, pois quando dividimos um sentimento com uma pessoa, desejamos que ela expresse alguma forma de empatia verdadeira e que, em situações melhores, ela possa se alegrar junto. Tudo o que ocorre longe disso promove um incômodo regado com o sentimento de frustração e uma sensação de ser desprezado.

Seja por não atingir algum resultado esperado, por não ter conseguido realizar uma atividade, pelo término de um relacionamento, pela separação de uma pessoa amada, pelo desemprego, pela perda um ente querido, por uma doença mental ou física. O que normalmente você ouve?

Pedem-nos coragem. Como se sentir Depressão nos colocasse no lugar de covardes.

Depressão não é preguiça e nem falta de fé. A depressão é caracterizada pela perda ou diminuição de interesse e prazer pela vida, gerando angústia e prostração, algumas vezes sem motivo evidente. Hoje, a depressão é tida como a quarta entre as principais causas de incapacitação segundo a Organização Mundial da Saúde.

Esse transtorno psiquiátrico atinge pessoas de qualquer idade, embora seja mais frequente entre mulheres. Exige a avaliação e o tratamento por um ou mais profissionais. O desânimo sem fim é fruto de desequilíbrios na bioquímica cerebral, como a serotonina, ligada à sensação de bem-estar.

Hoje se sabe que a depressão não promove apenas uma sensação de infelicidade crônica, mas incita alterações fisiológicas, como baixas no sistema imune e o aumento de processos inflamatórios. Por essas e outras, já figura como um fator de risco para  doenças cardiovasculares, por exemplo.

Na órbita em que vivemos somos cobrados diariamente a ignorar nossos sentimentos e emoções, como se eles não fossem importantes, principalmente aquelas emoções tidas como negativas.

Por que, segundo a Seleção Natural, o mundo é do mais forte.  Daquele que não tema que não esmoreça e nem se canse. Seria perfeito se fossemos mesmo assim. Mas, felizmente este é um ideal que ninguém consegue manter 365 dias do ano, ao longo de uma vida, porque essa imagem produz e também reproduz adoecimento psíquico. É uma exigência sem a menor condição de ser atendida a um ser completamente finito e limitado no tempo e no espaço físico. Somos apenas Homem. Não somos máquina.

O que traz “curtidas” e muitos “amei!” diz respeito a expressar emoções positivas, como a alegria, o amor, a gratidão, a satisfação, a esperança, o interesse. Tudo isso é sempre muito bem vindo e produtivo nas rodas de conversa, no trabalho, na escola, na família, em qualquer ocasião social, porque ela demonstra o que há de mais bonito, aceitável e desejável nas pessoas. E nos aproxima de “todo mundo”.

Por outro lado, falar sobre o medo, a raiva, a insegurança, o ressentimento; calar a “coragem”, a “autoconfiança”; mencionar angústia e a tristeza que muitas vezes dilacera a alma nos posiciona no pior lugar: o da derrota humana. Quanto à apatia e o desânimo que insistem em se fazerem presentes, assim como o ódio, o ciúme, e muitos outros sentimentos e emoções negativas que não temos o direito de experimentar viramos escravos da Política do Correto.

São assuntos que pessoas tendem a desviar. Eles normalmente são associados a condições de despreparo, fragilidade, imaturidade por quem os toca. Decidir compartilhar os sentimentos originados de um sofrimento com alguém que não age de maneira empática com você, também gera sentimento de frustração, raiva, vergonha e injustiça, mas neste caso, a tendência é que esta situação contribua para a piora do quadro de tristeza ou de um quadro depressivo, se ele estiver instalado.

Nestes casos, a sensação de incompreensão e não pertencimento se intensifica, agravando ainda mais o sentimento de desamparo e desesperança. E então a única saída parece ser aquela que nos tira deste mundo de dor. Da mesma forma, uma pessoa que tende a guardar todo e qualquer sentimento para si, na tentativa de se manter “forte”, equilibrado, racional, preparado, realista e com controle sobre as situações, pode chegar a um colapso emocional – a morte em vida; a primeira morte – pelo gasto de energia mental envolvido na necessidade de manter o equilíbrio entre a realidade interna de sofrimento com a realidade externa que exige perfeição e felicidade plena.

O suicídio não acontece de uma hora para outra (ele manda sinais), mas o seu processo pode ser rápido, ainda mais se a pessoa estiver em crise. É uma forma definitiva de acabar com um sofrimento que está latente e gritante por dentro da pessoa. A dor emocional e a desesperança são tão intensas que por muitas vezes a pessoa não consegue visualizar, sozinha, outras formas de resolução para um problema vivido. É a dor mais profunda da alma, e não o desejo pela morte propriamente dita, que leva uma pessoa às tentativas ou ao ato em si.

Existem várias formas de aumentar a chances de prevenção seja do adoecimento psíquico e emocional, ou do suicídio, e uma delas é simplesmente falar sobre o que está se passando internamente. Falar dos pensamentos que circundam a mente, os desejos e preocupações existentes. Contar com uma escuta confiável, acolhedora, empática.

Se tu estiveres vivendo uma dor que não consegues aplacar, procures uma escuta confiável. Contes com a ajuda de um psicólogo. Vamos ressignificar tua vida juntos!

Se tu que olhas e vês pessoas com um olhar amoroso e acolhedor e percebe ao teu redor alguém que precise de ajuda, faze-o, acompanhes ao atendimento psicológico, aciones quem pode ajudar; promoves uma rede de atenção a quem precisa. Teu coração se expandirá numa satisfação sem precedentes. E o retorno do Amor que investistes será feito em um Amor maior ainda: o do próximo que tu ajudaste a levantar!

Amemos mais!?

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