Um socialista poderá vencer a disputa pela Casa Branca. Sonho ou a nova realidade americana?

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Fazia muito tempo que não escrevia nada no blog sobre a política internacional. Mais de dois anos sem postagens para além dos limites territoriais brasileiros. Confesso que no início deste blog até quando completou os seus primeiros dois anos de existência, a pauta internacional era farta, por grande influência do gosto da geopolítica mundial, excessivamente trabalhado nas disciplinas da faculdade de geografia. O tempo e os ensaios profissionais me “moldaram” mais “local”, “regional”. A especialização em geografia da Amazônia, quase sepultou as análises ao redor do mundo. Mas retorno com a temática global no blog com mais regularidade de agora em diante.

Vamos ao texto…

Nascido no Brooklyn, bairro pobre, de maioria negra em Nova Iorque, em setembro de 1941. Filiado ao Partido Democrata desde 2015. Foi prefeito de Burlington (principal cidade do estado de Vermont) por três mandatos. Atualmente exerce a função de senador pelo referido estado americano. Agora disputa com a ex-secretária de Estado Hillary Clinton, a indicação pelo partido Democrata à Presidência dos Estados Unidos. Esse é Bernie Sanders, rotulado por suas ideias, ideologias e postura política como um socialista.

O que poderia ser uma candidatura sem expressão, mais um “azarão” que poderia sonhar com a Casa Branca, começou a mudar recentemente. O sistema político americano permite que diversas candidaturas sejam lançadas nos partidos políticos, neste caso, a bipolaridade entre republicanos e democratas, não permite que outras legendas consigam torna-se competitivas.

No sistema político-eleitoral estadunidense, os dois referidos principais partidos, realizam por meses as chamadas prévias. Sistema de escolha interna que decidirá por voto popular quem irá ser o candidato de cada legenda na disputa presidencial. Por isso, o processo eleitoral é dividido em duas partes, duas fases.

Pelo lado republicano, Donald Trump, leva vantagem e poderá vencer as prévias do partido sem maiores sustos. O bilionário apesar de ter ideias e posturas radicais, ultraconservadoras e até xenofóbicas, começa agradar a maioria dos eleitores republicanos, que culpam a “flexibilidade” em diversos setores, imposta por Barack Obama como o maior responsável pela recessão que o país vive e a perda do poder americano no cenário internacional.


Do lado Democrata, Hillary Clinton que parecia ser sem maiores sustos, a escolhida nas prévias, em semanas viu o seu favoritismo ruir, quando Sanders tornou público suas ideias e propostas. Hillary viveu o mesmo cenário em 2008, quando liderava e foi ultrapassada por Obama, que viria a ser o primeiro negro a governar os Estados Unidos. Os eleitores democratas parecem não depositar confiança na ex-secretária de Estado. Hillary poderá amargar mais uma derrota nas prévias de seu partido e novamente perdendo após sair como a favorita na disputa.

E se Sanders vencer as prévias e for o candidato democrata na disputa presidencial? Os americanos estão preparados para serem governados por um político mais à esquerda? A disputa que se aproxima, se a lógica se mantiver, será entre dois extremos: Trump (Republicano) extremamente conservador e Sanders (Democrata) mais liberal e com propostas que se aproxima mais das pretensões registradas de Karl Marx do que Adam Smith.

Inegavelmente, alguns anos de recessão econômica, concorrência com outros países, especialmente a China, tornaram a economia americana mais frágil e vulnerável às crises cíclicas do sistema capitalista. Esse cenário desfavorável economicamente quase quebrou o tão divulgado “Estado do Bem-Estar-Social” e elevou os índices de pobreza em solo americano, aumentando as desigualdades sociais no país mais rico do mundo.

Milhões de americanos não tem acesso aos sistemas de saúde e educação, haja vista, que a recessão econômica, fez a renda per capita do país despencar, assim como menor oferta de emprego. É neste cenário de incertezas e dificuldades que as ideias e propostas de Sanders avançam e conseguem ganhar apoiadores espalhados pelo território americano.

Pelo visto os Estados Unidos começam a sofrer em grau maior as armadilhas do capitalismo, sistema tão defendido e propagado em solo americano e que sustenta o sonho de milhões de estadunidenses e imigrantes das mais variadas partes do mundo que buscam o “American Way of Life” como forma de vida e organização social. Bernie Sanders, um socialista democrata, poderá ser o mais novo presidente americano, no meio do centro capitalista mundial. Resta saber se os americanos estão preparados para essa nova realidade? 

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