Violência sem controle no Pará e a inércia do Palácio dos Despachos

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Pode parecer implicância política ou puro oportunismo.
Rebato logo que não. Quem acompanha este blog sabe que nos anos que aqui
descarrego minhas reflexões e provocações, grande parte delas são direcionadas
aos tucanos, especialmente ao governador Simão Jatene. Apesar de ter minhas
ideologias políticas e preferências partidárias, tento – na medida do possível,
é claro – manter o blog separado dos meus posicionamentos. Prova disso é que em
muitas postagens critico o governo Dilma, o PT e quem eu achar que devo. Com os
esclarecimentos em ordem, vamos ao texto…
Venho acompanhando a distância os acontecimentos que ocorrem
em Belém e na sua região metropolitana em relação aos casos de violência. Não
há como negar que está instaurado o caos na segurança pública paraense. 
Nenhuma
ação do governo Jatene está funcionando ou pelo menos, diminuiu a crescente
estatística (oficial que é muito questionada pela sociedade). Sem meio termo, a
verdade é que o governo perdeu a guerra. E pior, não sabe nem por onde começar
para tentar amenizar o cenário assustador. Não se tem um plano de segurança
estadual, nenhuma estratégia integrada na área que efetivamente consiga
responder as crescentes ações criminosas.
Sem muito esforço de análise e sem precisar esmiuçar
documentos, em uma superficial leitura, chega-se uma preocupante constatação:
falta efetivo policial no Pará. Segundo a ONU (Organização das Nações Unidas)
recomenda-se que exista um policial militar para cada grupo de 250 habitantes.
O efetivo atual da PM paraense é de 13 mil homens. Ou seja, pela população
atual temos um policial para cada 600 habitantes, mais do que dobro do
recomendado. Isso já demonstra que falta efetivo para combater o crime e garantir
o mínimo de segurança ao cidadão. Fora os que estão fora das ruas, cumprindo
expediente em repartições públicas e exercendo funções administrativas.
Além da falta de efetivo, outro ponto é que a violência
praticada no Pará é variada e em vários níveis. Vai de pequenos furtos até o
crime organizado de alta periculosidade. Fica claro que as diversas forças
policiais não conseguem combater essa crescente criminal. Por que o governador
não solicita ajuda do governo federal? Por que Jatene não pede audiência com o
ministro da Justiça? A disputa política está acima do combate ao crime? Evitar
os milhares de mortos todos os anos é menos importante?
Em recente pesquisa, a 1º sobre Vitimização, produzida pela
Macroplan, empresa de consultoria, os resultados apresentados pelo Pará na área
da segurança pública foram alarmantes: 35% da população disse que já ter sido
vítima de algum tipo de crime; a capital do Pará, Belém, aparece em 23º no
ranking das 50 cidades mais violentas do mundo; o Pará se tornou o 4º Estado
mais violento do Brasil; o 3º do Brasil em número de homicídios e se constatou
ainda que o índice de homicídio cresceu 189% em Belém nos últimos 10 anos.
A referida pesquisa apesar de ter abordado do o estado do
Pará, concentrou-se na RMB (Região Metropolitana de Belém). A situação em
cidades do interior é mais alarmante, porém menos conhecidas, divulgadas. Em
Parauapebas, por exemplo, o efetivo da PM é crítico. Existem 35 policiais por
turno para atender uma cidade com 200 mil habitantes, segundo censo oficial do
IBGE, mas sabe-se que esse quantitativo de pessoas é bem maior. Como garantir a
segurança? Em média em cidades pequenas, com no máximo 30 mil habitantes,
existem 4 policiais militares por turno. Como prover assistência ao cidadão
nessas condições?
O que impressiona igualmente a onda de crimes é a inércia
que o governo do Estado do Pará trata a questão. Nenhum pronunciamento do
governador, nenhuma entrevista coletiva, nenhuma ação publicitária para
demonstrar que o Estado está buscando reagir. Por que tanto silêncio? Por que
reuniões e conversas a portas fechadas, longe da imprensa? Por que não há
diálogo com a sociedade?

Como escrevi em postagem anterior, Jatene sempre quando há
crises em sua gestão, prefere o silencio, a ausência, do que o enfrentamento
direto. Transparece falta de comando, ou até pior, falta de sensibilidade com
as demandas emergenciais do Pará. O PSDB governa o Pará há 17 anos, 13
consecutivos. Em 2018 completará duas décadas no Palácio dos Despachos e a
segurança pública só piora. Até quando? 

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