Bolsonaro caminha para o isolamento político-eleitoral no 1° turno

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Jair Bolsonaro ainda é um forte candidato na disputa presidencial. Todas as pesquisas eleitorais o colocam na liderança quando o nome do ex-presidente Lula não consta na disputa. Outro fator favorável ao referido  deputado federal é o alto índice de votos cristalizados que possui. Essa margem segundo análises qualitativas chega a 80%, o que garante ao pré-candidato do PSL estabilidade, com baixa oscilação a cada nova pesquisa divulgada.

O que as pesquisas mostram é que Bolsonaro possivelmente tenha alcançado o seu teto, ou seja, a margem de crescimento não é identificada nas pesquisas. Conta, segundo média entre as pesquisas, com a margem de 18% a 25% das intenções de voto, o que pode lhe garantir uma vaga no segundo turno.

Porém, por um viés analítico mais apurado, pode-se afirmar que a pré-candidatura de Jair Bolsonaro chega ao seu momento crucial em relação ao futuro, a própria viabilidade na disputa. Não há dúvida que entre todos os pré-candidatos ao Palácio do Planalto, ele é quem desenvolve o melhor trabalho nas redes sociais, no campo virtual. Sua popularidade está sustentada em grande parte no mundo cibernético. Só que no Brasil – diferente do que acontece nos Estados Unidos – a influência do mundo virtual é forte, porém, ainda com limitação temporal. Ou seja, no período que antecede às disputas, a internet assume fortemente esse papel de propagador, mas ainda é suplantada pelos meios padronizados de comunicação quando inicia oficialmente a disputa eleitoral.

Hoje (20) iniciam as convenções partidárias que irão até o próximo dia 05 de agosto. Esse processo é fundamental para as configurações que tomarão forma e estarão postas no tabuleiro eleitoral. Aí entraremos no processo real, fora do mundo virtual. É justamente essa questão que é chave a Bolsonaro. Inevitavelmente, Jair precisa agregar sob a sua órbita partidos políticos. É, desta forma, por exemplo, que se consegue tempo de TV e rádio, dois segmentos fundamentais e que ainda define vencedores nas disputas eleitorais no Brasil, sobretudo, a presidencial.

Hoje, sem apoio, o PSL só consegue proporcionar a Bolsonaro insignificantes oito segundos na campanha. Sabendo disso, Jair tentou de todas formas fechar acordo com o PR (Partido da República), convidando o senador Magno Malta para ser o seu vice. O que não foi aceito pelo referido. Caso fechasse acordo com a referida legenda, Bolsonaro poderia chegar a três minutos, tempo razoável e que poderia lhe garantir espaço para expor suas propostas e projetos.

Com a negativa do PR, Bolsonaro partiu para o plano B, ou seja, fechar acordo dentro do segmento que mais lhe garante votos e que sustenta a sua extensa vida parlamentar: segurança. Para isso, tornou público o convite ao general reformado do Exército, Augusto Heleno, que foi mais um a dizer não ao pré-candidato do PSL.

Não há dúvida que a falta de partidos poderá causar grande entrave a candidatura de Bolsonaro. A sua atual situação é cômoda; lidera – sem a citação do nome de Lula – as pesquisas. Mas não cresce. Apesar de ser o candidato com maior número de votos cristalizados, sabe que poderá perder eleitores que hoje o declaram votos, quando a campanha começar. Só a internet não terá a capacidade de promover Bolsonaro ao mesmo nível de exposição e visibilidade que a TV, por exemplo.

Por isso, precisa chegar ao segundo turno, pois só assim, no “segundo tempo”, poderá ter condições equivalentes de disputa e exposição com o seu adversário, conforme a legislação eleitoral determina.

Jair Bolsonaro precisa vencer e resistir ao isolamento político-eleitoral que estará submetido neste primeiro turno, caso queria ser o próximo a subir a rampa do Palácio do Planalto. O que – pelas circunstâncias – está a cada dia mais difícil.

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