Cinco anos de S11D. Um novo capítulo da Odisseia Amazônica

Há exatos cinco anos, a Vale apresentava um dos maiores empreendimentos do mundo, o maior no planeta do setor mineral. Um gigante complexo industrial que foi batizado com o nome “Eliezer Batista”, engenheiro civil de formação, que presidiu a Vale por duas vezes e ficou mais conhecido por ser o “pai” de Eike Batista, um ex-bilionário.

O empreendimento teve alto custo. Nunca na história da Vale, a mineradora investiu tanto em um único projeto. Os valores corrigidos e atualizados ultrapassaram à época14 bilhões de dólares, mais de 50 bilhões de reais (levando em consideração a cotação da moeda americana em R$ 3,70). O valor total foi quase divido em partes iguais nos custos em relação à mina, usina (em um único bloco de custo) e ramal ferroviário. Todo esse valor de implantação tem claramente um motivo obvio: a viabilidade econômica do projeto.

Toda essa importância dentro do cenário internacional e que tornou o projeto S11D a “queridinha” da referida mineradora estava a possibilidade – o que se tornou real –  de ter o custo de produção por tonelada na casa dos sete dólares (com margem de queda). Na Serra Norte (Parauapebas) a média de custo no período de implantação do megaprojeto em Canaã era de 12 dólares por tonelada. Essa diferença é de suma importância na margem de rentabilidade da Vale, haja vista, que a mineradora enfrenta grande variação do preço do minério de ferro, seu “carro-chefe” no mercado internacional.

O empreendimento colocou em rota de colisão dois grupos: os pessimistas ou alarmistas e os desenvolvimentistas que justificavam o projeto como alternativa, saída para a virada econômica de Carajás e a consolidação da produção de riqueza regional. Que em pouco tempo, deixaria Parauapebas “comendo poeira” no que diz respeito a arrecadação vinda da exploração mineral.

Diversos textos foram produzidos em relação ao S11D. No campo alarmista a conotação foi a supremacia de Canaã e a falência de Parauapebas no campo mineral. Muitos apontam que o custo e operação nas minas da Serra Norte tornariam inviáveis novos investimentos, pois ficaria bem alto o custo de produção por tonelada. Os diversos textos foram divulgados e apontaram em um futuro próximo, a decadência de Parauapebas, com a continua redução da produção de minério de ferro.

Para fins geológicos, o S11D é apenas um bloco do corpo que foi dividido em quatro partes: A, B, C e D. O potencial mineral do corpo S11 é de 10 bilhões de toneladas de minério de ferro, sendo que só o bloco D possui reservas de 4,24 bilhões de toneladas. As primeiras sondagens na região datam dos anos 1970. No início dos anos 2000, foram feitos os primeiros estudos de capacidade técnica e viabilidade econômica, que levaram à atual configuração do projeto. A estrutura da mina e da usina de processamento de minério de ferro conta com três linhas de produção – cada uma com capacidade de processamento de 30 milhões de toneladas/ano. O minério é lavrado a céu aberto e levado da mina até a usina por meio de um Transportador de Correia de Longa Distância (TCLD).

Desde o início da operação do projeto, a Vale fixou as projeções para os anos seguintes, e todas elas foram alcançadas. Segundo a mineradora, em 2018, a produção chegou a 55 milhões de toneladas. As projeções indicavam que o limite máximo de produção seria atingido ao fim de 2020, mas isso se tornou uma realidade um ano antes. No caso da Serra Norte, o volume de produção máxima só foi atingido duas décadas depois do início da operação; já o S11D atingiu em menos de três anos. Claro que a rapidez com que se atingiu a capacidade de produção está ligada ao aumento da demanda do mercado chinês, o maior comprador do minério de ferro de Carajás; além – agora mais recente – da tragédia ocorrida em Brumadinho, que freou a produção em Minas Gerais e, por consequência aumentando o volume de retirada de minério do solo paraense, conforme já analisado por este blog em outros artigos.

Como esperado, o S11D reabre o debate sobre o futuro da região e sua dependência mineral. Independente de lado ou posicionamento sobre a questão, o minério está acabando. Seu fim a cada dia se aproxima com a margem de erro a gosto do freguês: pessimista, realista ou desenvolvimentista. Escolha o seu.

Henrique Branco

Formado em Geografia, com diversas pós-graduações. Cursando Jornalismo.

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