CMP afasta o prefeito Valmir Mariano (PSD) do cargo

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Ontem
(03) ocorreu um fato inédito no âmbito político da cidade de Parauapebas,
conhecida também como a capital do minério. O prefeito municipal Valmir Mariano
(PSD) foi afastado do cargo por 180 dias pela Câmara Municipal da cidade, depois de algumas reviravoltas, abandono de sessão, migração de vereadores da base governista para a oposição. Vamos aos fatos…
Não
é de hoje e se acumulam denúncias de todas as ordens contra o prefeito. Há
documentos que comprovam tais acusações, mas nada efetivamente era feito. Ou
seja, a rotina continuava mesmo com os bastidores políticos nervosos. O chefe
do executivo mantinha na CMP a sua base com 10 vereadores dos quinze que compõe
o parlamento legislativo da cidade. O chamado G-5 (Grupo dos cinco vereadores
da oposição e que mantém forte críticas ao governo) pouco poderia fazer em
ações práticas por conta da base numérica menor.
Mas
dentre outros desastres da administração municipal, uma das mais relevantes é a
relação complicada com a base governista na Câmara. Falta habilidade política
do Palácio do Morro dos Ventos (sede do governo municipal) com os vereadores da
situação. Ela numericamente é dez. Mas há sempre (e cada vez mais corriqueira ultimamente)
rebeliões de vereadores aliados. E assim a defesa governista começava a ruir.
Ontem,
qualquer dúvida sobre os desastres da articulação política da gestão Valmir
Mariano foram comprovadas e da pior forma para o prefeito. O advogado Helder
Igor deu entrada na CMP com pedido de afastamento do chefe do executivo de Parauapebas
frente as denúncias, instaurando uma “Comissão Processante” e afastado o
prefeito do cargo por 180 dias. Para que o processo avançasse precisaria da
assinatura da maioria dos parlamentares. O G-5 teria que contar com pelo menos,
mais três assinaturas. E elas vieram.
Como
manobra esperada, os vereadores da base se retiram do plenário para evitar a
continuidade da sessão. Não funcionou, três vereadores que apoiavam o prefeito
migraram para a oposição. Sendo assim, a sessão continuou e a CMP deliberou
pelo afastamento do prefeito Valmir Mariano pelo período de 180 dias. Cabe
recurso e o prefeito deverá fazer valer o seu direito de defesa. A questão é
que as denúncias são graves, com provas cabais de desvios de recursos públicos
em diversas áreas. Estranhamente o Ministério Público acionado diversas vezes
nada fez.
A
notícia do afastamento do prefeito de Parauapebas ontem no final da tarde,
início da noite, caiu como uma bomba no meio político da cidade e região. O que
isso representa para a disputa eleitoral municipal que já começa a se formar
para 2016? Quais as consequências do afastamento do prefeito?
Mesmo
que o chefe do executivo municipal seja reconduzido ao cargo, o ato cria instabilidade
em seu governo, no cenário político da cidade e fortalece seus opositores,
especialmente o ex-prefeito Darci Lermen (PT), que segundo algumas consultas
feitas pela cidade, lidera a disputa pelo Palácio do Morro dos Ventos em 2016.
Além
disso, antes mesmo do afastamento do prefeito, a atual gestão municipal se
encontra em um difícil cenário. Avaliação do governo é ruim, abaixo do
esperado, depois de dois anos no comando da cidade (por isso escrevi um post
com o título: “Ainda dá tempo, Valmir?!”). Pelo que se percebe, a situação do mandatário
municipal piora a cada dia, não só na avaliação popular, mas em suas “engrenagens”
administrativas e operacionais. Se a base oposicionista crescer na CMP, a
situação tende a piorar. A política na capital do minério ferve. Aguardemos os
próximos capítulos do processo.

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