Consulta para quê?

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Ao fim de maio, o Ministério da Educação abriu consulta aos candidatos do Exame Nacional do Ensino Médio (ENEM) para saber – por eles – qual seria a melhor data para a realização das provas. O votante teria três opções de escolha: manutenção da data das provas, o adiamento por 30 dias e a suspensão indefinida do exame deste ano por causa da pandemia de covid-19.

De partida, as provas do Enem estavam marcadas para 1º de novembro (linguagens, códigos e suas tecnologias; redação; ciências humanas e suas tecnologias) e 8 de novembro (ciências da natureza e suas tecnologias; matemática e suas tecnologias). Conforme analisado por este Blog em outros posts, o ministério esticou a corda ao máximo, resistindo na mudança de data. Afirmavam que a pandemia iria passar e que não seria necessário alterar o calendário. Exercício puro de negacionismo. Após muita pressão da opinião pública, o governo resolveu ceder, e deixar claro que as datas seriam alteradas. Lembrando que a decisão ocorreu porque houve questionamento judicial e o caso foi parar no Congresso, que votou pelo adiamento.

O resultado da enquete foi: 49,7% preferiam fazer a prova em maio de 2021; 35,3%, em janeiro de 2021 e 15%, em dezembro de 2020. Portanto, o MEC não respeitou o desejo da maioria. De que adiantou fazer consulta se o resultado não é considerado? Ou o ministério errou ao dispor as datas para serem escolhidas?

O Ministério da Educação anunciou que a primeira prova do Enem será aplicada no dia 17 de janeiro de 2021 e a segunda em 24 de janeiro de 2021. Os alunos que optaram pelo Enem Digital farão o exame no dia 31 de janeiro e 7 de fevereiro de 2021. A reaplicação do exame será no dia 24 de fevereiro e 25 de fevereiro. Os resultados vão estar disponíveis a partir do dia 29 de março de 2021.

Com essa definição voltemos ao debate em relação às desigualdades educacionais do Brasil. Elas sempre existiram, mas a pandemia as potencializou. Estamos há quatro meses sem aulas presenciais e o exame foi adiado por apenas dois meses. O prejuízo está posto. Não há dúvida que esse Enem será o mais desigual de todos.

Tal decisão diz muito sobre a atual gestão educacional do país. Há 18 meses sem avanços, e agora sem ministro. Portanto, é difícil esperar que o Instituto Anísio Teixeira (INEP) – orgão subordinado ao MEC e responsável pelo Enem, leve em consideração o cenário que vivemos? Que reconheça as desigualdades históricas e tente – via processo seletivo – combatê-las? Que tenha empatia com o estudante, sobretudo aos menos abastados. Mas isso parece pedir muito a esse governo. O prejuízo está posto.

 

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