Continua intensa a disputa pelo comando da Vale

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Prédio da Vale, no centro do Rio de Janeiro. 15/12/2014 REUTERS/Pilar Olivares

Como esperado, a disputa nos bastidores pela cadeira de presidente da mineradora Vale é intensa. Várias correntes e grupos políticos disputam a indicação de quem vai nas próximas semanas suceder a Murilo Ferreira, que estará deixando um dos postos mais importantes do mundo empresarial.

Por conta de toda essa pressão, aliado a costumeira ingerência política de Brasília, a Vale decidiu contratar uma empresa internacional de seleção de executivos, a famosa Spencer Stuart para ajudar no processo de escolha de seu novo mandatário. Segundo apurado pela revista Exame, a Spencer Stuart apresentará uma lista com nomes de potenciais candidatos para a escolha final do conselho de administração da mineradora até o fim do mês de maio.

Nos bastidores aparecem pelo menos três potenciais nomes dispostos a ocupar o lugar de Murilo Ferreira.  Pedro Cafarelli, presidente do Banco do Brasil; Marcos Falcão, ex-executivo do Icatu e Rômulo Dias, atual CEO da Cielo, são os mais cotados para o cargo.

Todos os citados possuem poderosos padrinhos políticos que buscam e medem forças para emplacar o seu indicado. A sucessão no comando da poderosa mineradora já causa problemas ao presidente Michel Temer. Em conversas, os deputados mineiros do PMDB já pediram ao presidente que a bancada tenha voz na indicação do novo presidente da mineradora. Segundo auxiliares do Palácio do Planalto, Temer teria descartado ceder às pressões do grupo, mas deixou claro que ouvirá as sugestões.

Por meio do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), o governo tem, em aliança com outros acionistas, o controle acionário da Vale. Isso antes da nova política de gerenciamento da companhia que Ferreira quer aprovar antes de sua saída, que deverá diluir o comando acionário da Vale.

Segundo a revista Exame, além dos três nomes citados, Temer estaria decidido a escolher um nome de dentro da mineradora, entre os diretores de áreas. Neste caso, o mais cotado é Clóvis Torres, diretor de recursos humanos da companhia e visto como braço direito de Ferreira durante sua gestão. Além do apoio do atual presidente da mineradora, o nome de Torres agrada a bancada de parlamentares de Minas Gerais. Outras alternativas internas seriam o diretor financeiro da Vale, Luciano Siani, e o diretor de ferrosos da companhia, Peter Poppinga.

Tudo isso ocorrendo e sendo decidido bem longe do território paraense. A bancada do Pará em Brasília não tem voz sobre o assunto ou sequer foi consultada sobre a questão. Mesmo a Vale faturando 40% do que retira do solo paraense, além do Pará sediar, em Canaã dos Carajás, o maior projeto mineral do planeta. O Pará colônia continua.

 

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