Cortina de Fumaça

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Significado do termo “cortina de fumaça” é sempre usado em diversos casos, dentre eles na política. O termo nasceu da nuvem espessa de fumaça produzida pelas chaminés dos navios de guerra, ou feita artificialmente com produtos químicos, cujo propósito é encobrir a visão dos oponentes para os despistar, enganar. E, desta forma, se muda a pauta, o debate, provocando uma situação para esconder outra.

Ontem, 11, a política de Parauapebas foi sacudida por dois eventos. Um foi a comprovação científica de uma farsa, arquitetada a fim de ganhar dividendos eleitorais. O outro foi a apuração de denúncia anônima de suposto crime eleitoral que estava ocorrendo em uma das salas de um prédio comercial, localizado na Avenida Liberdade, Bairro da Paz. No local funciona o escritório do Partido Progressistas (PP), presidido em Parauapebas pelo secretário de Finanças, Keniston Braga.

Sobre o fato, ele é algo natural em período eleitoral. Qualquer cidadão pode fazer uma denúncia de suposto crime, cabendo as autoridades averiguar e, caso seja confirmado, tomar as providências cabíveis. A ação ocorrida ontem, faz parte da operação “Boitatá II” da Polícia Federal, que tem como objetivo investigar corrupção eleitoral: transporte irregular de eleitores, lavagem de dinheiro e abuso de poder econômico. Ao fim da busca, foi apreendido R$ 2.500,00 (dois mil e quinhentos reais), bem como planilhas e aparelhos eletrônicos.

Após o caso ser cercado de notícias falsas, estas propagadas por adversários políticos do prefeito Darci Lermen (MDB), Braga se pronunciou através de um vídeo que tomou as redes sociais: “Trata-se de um processo considerado normal. A Polícia Federal recebeu uma denúncia e foi à sede do partido para fazer uma busca. A denúncia dizia que lá existiam valores que supostamente estaríamos usando para a compra de votos. A polícia fez o seu papel, muito nos honra que a PF esteja atenta a tudo isso, demos todo o suporte para que eles desenvolvessem os trabalhos; finalizou a busca e vamos esperar os desdobramentos disso, porque não foi encontrado essa tal soma dita na denúncia e vejo isso como tentativa de desviar o foco dos acontecimentos nesta reta final das eleições”.

Estranhamente a denúncia de suposto crime eleitoral ocorreu, horas após a coletiva da Polícia Civil, juntamente com o Instituto Renato Chaves, que, de forma técnica, demonstram que as versões dadas pelas testemunhas do suposto “atentado” não seriam possíveis de terem ocorrido conforme os relatos. O laudo conclusivo aponta que não houve atentado (Leia Aqui).

Os apoiadores do candidato Júlio César (PRTB) sempre muito ativos nas redes sociais, sumiram após a coletiva sobre o caso. Reapareceram após a ação da Polícia Federal. A operação serviu para que a oposição mudasse a pauta, passasse a usar a denúncia de suposto crime eleitoral como cortina de fumaça para o resultado do laudo que desmente a acusação de atentado. Sincronicamente, quando iniciou a operação na sede do PP, em um cruzamento de Belém, o deputado federal Éder Mauro (PSD) anunciava a operação, chegando a comemorar, acusando o prefeito Darci Lermen e o governador Helder Barbalho de corrupção. Não se sabe o por que de tanto interesse do citado parlamentar em Parauapebas, distante de seus redutos eleitorais. Ou melhor, se sabe bem! Pior ainda é um outro parlamentar, este fluminense, também se fazendo muito presente na campanha eleitoral da capital do minério. Por que? (Leia Mais).

Os dois casos relatados aqui não podem se equivaler, por mais que oportunamente alguns queiram. São situações completamente diferentes. Um é a possível consumação de um crime (falsa comunicação, calúnia e falso testemunho), podendo implicar em responsabilização criminal contra os envolvidos no caso. O outro é uma ação de verificação de denúncia que todo e qualquer cidadão pode fazer.

Um grupo (da cidade e de operadores de fora) já mostrou que é capaz de tudo para chegar ao poder. Todo cuidado é pouco.

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