“Distritão”: a política cada vez mais distante da sociedade

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Todos são unânimes em afirmar que o Brasil precisa entre todas as reformas, fazer a política. Diversas propostas vêm surgindo há anos sobre o tema. Cada grupo ou corrente defende um projeto, um caminho. Não há um modelo pronto ou consenso sobre quais pontos deverão ser aprovados. O que se sabe e que os congressistas evitam a convocação de uma Assembleia Constituinte para a produção da referida reforma. O Congresso quer fazê-la, claro, ao seu modo e mantendo os seus interesses comuns, o que deformaria tal pretensão de profunda mudança.

Sem entrar muito na questão das possíveis alterações na seara política, o Congresso pretende (sem unanimidade) mudar algumas regras eleitorais. A mais polêmica e impactante é a alteração no formato dos eleitos. Querem aprovar o chamado “Distritão”, que retira a proporcionalidade nas eleições de cargos como deputado federal, estadual, distrital e vereador, além de criarem um fundo público para financiar campanhas.

Na prática se o novo modelo for aprovado, institui que os eleitos serão aqueles que conseguirem a maior quantidade de votos dentro do número de vagas de seu estado nos cargos legislativos em todas as esferas políticas, a exemplo do que já acontece no Executivo. Na prática, esse formato deixa em melhores condições os mais conhecidos, caciques políticos e quem detém poder econômico. Inversamente a isso, ficam prejudicados os grupos sociais de menor poder aquisitivo, desconhecidos e defensores de seguimentos sociais excluídos.

A esperada renovação política, dificilmente ocorrerá no modelo “distritão”. Esse formato atualmente só é mantido por quatro países em todo mundo: Afeganistão, Emirados Árabes, Vanuatu e Kuwait. Todos sem regime democrático consolidado. Nas referidas nações o regime é mantido justamente para dificultar o aparecimento de novas lideranças e perpetuar os que estão no poder. É para esse processo que possivelmente o Brasil irá caminhar politicamente.

A pressão em aprová-la pela maioria dos 513 deputados federais faz todo sentido e tem lógica. Basta analisar o atual cenário e a crise política que o país atravessa. O descrédito da população com os políticos e a negação a política, cria um clima de desconfiança e temor de grande renovação dos quadros políticos brasileiros, especialmente no Congresso Nacional. Pelo menos, as pesquisas apontam isso. O momento é propício para novos atores e agentes políticos. O “novo” parece que terá vez nas próximas eleições. Esse é o temor de quem tem mandato e tem receio de não se reeleger. Pelo visto, a política brasileira caminha novamente para o retrocesso e para cada vez mais longe dos anseios da sociedade.

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