PIB sobe mais do que o esperado. Um alento em um cenário desolador

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O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou ontem, 29, dados referentes ao desempenho da economia brasileira no segundo trimestre do ano corrente. Foi pouco, porém positivo: o PIB brasileiro cresceu 0,4% no segundo trimestre quando comparado com o primeiro. Somando-se tudo o que o Brasil produziu, a conta fechou em R$ 1,780 trilhão, em valores correntes. O mercado esperava a metade disso. A indústria foi o setor que mais cresceu da economia, com 0,7%, seguida pelos serviços 0,3%. A agropecuária caiu 0,4%. Este é o melhor segundo trimestre desde 2013, quando crescemos 2,3%.

O IBGE ainda revisou o PIB dos primeiros três meses. A queda foi de 0,1%, e não os 0,2% calculados anteriormente. Com aumento maior do que esperado, alguns economistas ensaiaram um cauteloso otimismo. “Não dá para soltar fogos”, avalia Mansueto Almeida, secretário do Tesouro Nacional. “Mas o resultado é um certo alívio.” Ex-presidente do BNDES, Luiz Carlos Mendonça de Barros o acompanha. “Quando o resultado vem melhor do que o mercado esperava, a primeira avaliação é de que a economia bateu no fundo do poço e agora está voltando”, disse. Mas completou — “em marcha lenta”.

Por outro lado, por fatores exógenos, o cenário econômico brasileiro ainda pode oscilar. A boa notícia da retomada do crescimento é animador, mas com a Argentina declarando uma moratória branca, a taxa Selic caindo e a guerra comercial entre EUA e China, o dólar continuou subindo. Fechou ontem, 29, em R$ 4,14. Mas, no pico, chegou a R$ 4,17, a maior máxima do ano. Só para se ter um parâmetro, no início do ano, a moeda americana estava na casa dos R$ 3,80.

Portanto, o resultado afastou o risco de entrada do país em uma recessão técnica, caracterizada por dois trimestres seguidos de retração do PIB. A tímida retomada da atividade econômica é um alento, um afago, dentro de um cenário desolador, em que as narrativas são as piores possíveis. Como dito inúmeras vezes neste Blog, dentro do governo Bolsonaro, há núcleos que passam longe da seara política; são técnicos, trabalham em silêncio. A Economia é uma destas. Ainda bem.

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