Eduardo Cunha é o novo presidente da Câmara. E agora governo?

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Além
da intensa turbulência na economia, adotando medidas
impopulares, sendo massacrado pela opinião pública, o governo Dilma teve ontem
mais um revés: a vitória de Eduardo Cunha na eleição para a presidência da
Câmara Federal. Apesar de ser do PMDB (Teoricamente partido da base de apoio do
governo) Cunha é adversário declarado do Palácio do Planalto.


A
vitória não causou surpresas nos corredores palacianos. Arlindo Chinaglia (PT)
era o candidato de Dilma para tentar evitar a vitória de Cunha. Não deu. Júlio
Delgado (PSB) lançou o nome para tentar forçar um 2º turno, objetivo maior do
governo. Não deu. O deputado peemedebista é um dos maiores articulares políticos
do Congresso. Dizia a quem quisesse ouvir que tinha “a própria bancada”, independentemente
de partidos. O que, de fato, não era blefe.
O
voto ainda é secreto. Ou seja, não se sabe em qual candidato o deputado votou.
Isso cria instabilidade. Vejamos o cenário: Eduardo Cunha antes da eleição
tinha apoio declarado de 218 parlamentares. Obteve 267 votos. Arlindo Chinaglia
contava com 180 apoios. Recebeu 136. Júlio Delgado anunciou 106 apoiadores.
Obteve 100 votos.

A
matemática é simples… Cunha recebeu mais de 40 votos declarados em Chinaglia.
Houveram pouco mais de 40 traições ao Palácio do Planalto. Delgado praticamente
manteve o seu grupo apoiador, metade de uma dúzia migrou para o candidato do
PMDB. O que o resultado da eleição nos mostra? E o como será daqui para frente?
O
governo usou as suas armas: reforma ministerial mais ampla; contemplando número
maior de partidos. Distribuiu emendas aos parlamentares. Segurou as nomeações
para o 2º escalão. Tudo isso estava sendo negociado com vários parlamentares
para derrotar Eduardo Cunha. Não deu. Mais uma vez o governo perdeu em sua
articulação política.

Eduardo
Cunha tinha também as suas armas: convencer os deputados a “endurecer” com o governo,
este em momento difícil e a defesa da mídia, evitando a regulamentação do
setor. Isso rendeu a Cunha apoio diário em diversos jornais.
A
relação entre o governo Dilma e o Congresso, especialmente na Câmara, nunca foi
das melhores. O Palácio do Planalto sempre teve que negociar muito bem e ceder
em diversas ocasiões aos caprichos dos deputados para avançar em seus objetivos
na casa. O ex-presidente da casa, Henrique Alves, também do PMDB, era mais próximo
do governo, e nem por isso tornou a vida de Dilma mais fácil. Eduardo Cunha,
pelo menos, é desafeto declarado.

Em
temos de tormentas, o governo terá ainda um grande adversário pelo frente: o novo
presidente da Câmara. Que deverá tornar a vida do Palácio do Planalto um inferno. A partir
de agora, depois do ministro da Fazenda, o ministro mais importante de Dilma
será da Articulação Política. O PMDB como o maior aliado político, garantiu ao governo vitória e derrota no mesmo dia. No
Senado, Renan manterá a casa sob controle do Executivo, com ampla maioria. Na
Câmara a situação é outra. A governabilidade custa caro e deverá custar mais
ainda ao governo.

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