Professor: profissão em via de extinção no Brasil?

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O título deste texto por si só é provocativo e faz refletir sobre o cenário educacional brasileiro. Ele torna-se autoexplicativo, sem maiores desdobramentos dialéticos. Mas por que o título é algo real, infelizmente? A resposta é simples: é a realidade da educação pública no Brasil que agoniza, sobrevive à estímulos, a ações esporádicas, uma gota dentro do oceano.

Em 2011 em meu antigo blog, abordei estudo divulgado pelo INEP (Instituto Anísio Teixeira), órgão de estudos educacionais do MEC, que naquele ano divulgava um triste dado: havia defasagem de mais de 700 mil professores no Brasil. Especialmente nas disciplinas Física, Química e Matemática. Para completar a tragédia no mesmo ano, a UFPA divulgava mais um dado desolador: 70% de quem estava cursando licenciaturas na referida instituição eram vagas de segunda opção. Ou seja, quem estava se formando em professor, estava ali por falta de opção ou por não ter conseguido a nota mínima de corte para o seu curso verdadeiramente pretendido.

Não é novidade que as maiores “cabeças pensantes”, ou seja, os jovens de maior desempenho em seu histórico escolar, não procurem cursos de licenciatura, nem pensam em trabalhar em sala de aula. Ou seja, na maioria dos casos, os nossos professores não são teoricamente os melhores, pelo menos em desempenho escolar. Isso pode ser encarado por falta de melhor qualidade de quem exerce à docência? Claro que há exceções neste processo. Há grandes cabeças pensantes na área ou que ainda estão entrando no campo educacional, mas são cada vez mais raros, infelizmente.

A consequência dessa diáspora da sala de aula é justamente a forma como se reconhece, trata e valoriza o professor, o principal agente. Qual estimulo um jovem tem hoje para seguir à docência? Qual jovem em seu ensino fundamental ou médio, busca, sonha ou almeja ser professor? Poucos. Essa pergunta faço as minhas dezenas de turmas e a cada ano menos mãos são levantadas quando se faz a consulta.

Historicamente a figura do professor nunca foi valorizada. Mas no passado, havia o respeito ao profissional. Hoje isso vem aos poucos deixando de existir, o que piora ainda mais o cenário como um todo. Se antes não havia reconhecimento por parte de governos, mais da sociedade, pelo menos, hoje nem isso pode-se considerar.

Nos últimos doze anos houveram avanços na referida. Os governos Lula e Dilma implantaram ações, políticas públicas no sentido da valorização docente. Os avanços foram tímidos na prática. No atual governo, Temer e sua equipe buscam promover mudanças que em a sua filosofia de implantação não trazem garantias de mudanças positivas ao professor. A reforma do ensino médio que abordei no blog e até concedi entrevista sobre a questão, busca alterar, modificar a grade curricular, mas ao exercício da docência nada. Do que vai adiantar mudar disciplinas ou conteúdos com o professor desestimulado, sem melhores condições de trabalho?

Todos os anos se discuti e a pressão aumenta para a derrubada do piso nacional dos professores. Prefeitos e governadores reclamam e articulam em Brasília para que o salário mínimo pago ao professor deixe de existir. Alegam – como sempre – falta de recursos para continuar pagando, mesmo com a contrapartida do Governo Federal. Ou seja, ainda se coloca em xeque os vencimentos dos docentes, se vende a ideia que professor no Brasil ganha muito bem e trabalha pouco. O que é algo completamente fora da realidade.

Para completar, teremos agora a implementação (aprovado em 1º turno na Câmara Federal e deverá passar em 2º turno em breve) da PEC 241, projeto que visa congelar os investimentos do governo federal pelos próximos 20 anos, especialmente em saúde e educação. Ou seja, a tendência é que os investimentos educacionais diminuam no Brasil de forma geral, pois o processo é em efeito cascata. Não há avanços e sim retrocessos, infelizmente.

Qual país verdadeiramente quer avançar socialmente, diminuir as suas diferenças, seus abismos, promover avanços em diversos setores básicos, ter cidadania plena, sem ter a educação como principal bandeira, objetivo? A história dos países pelo mundo mostra justamente a educação como caminho ao desenvolvimento de uma nação. Portanto não existe mágica ou fórmula para avanços em um determinado país ou nação sem investimento em educação. Ou se muda essa visão colonialista e elitista no Brasil ou estaremos promovendo a diáspora dos docentes da sala de aula e consequentemente atraso crônico ao nosso país. Até quando?

3 Comentários

  1. Quase ninguém quer ser professor por causa da desvalorização do profissional, começando com salário baixo, as dificuldades em sala de aula como indisciplina do alunos que não respeitam o professor, violência de alunos agressivos, desgaste total tanto físico e mental, porque professor tem que chamar atenção toda hora de alunos bagunceiros que não estão nem pra aprender e fora o trabalho que é muito que não termina na escola, mas continua em como plano de aula, correção de provas, escritura de diários e sem dizer que professor adoece com tudo, muitas vezes entra em depressão e até tem síndrome do pânico. Quem quer ser professor desse jeito?

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